A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos entrou em vigor nesta sexta-feira (5) e gerou alerta no governo brasileiro. Diplomatas e integrantes da área de segurança monitoram três cenários possíveis para os efeitos da medida.

O cenário mais brando é que a decisão tenha apenas efeito político e simbólico, sem desdobramentos práticos relevantes. A maior preocupação, no entanto, é que a medida abra caminho para sanções financeiras contra pessoas, empresas ou estruturas suspeitas de ligação econômica com as facções.

O segundo cenário tem como referência a Venezuela. Integrantes do governo lembram que, em outros casos, a administração Trump escalou o enfrentamento ao narcotráfico com apreensão de ativos, bloqueios e ações contra embarcações apontadas como ligadas ao crime organizado.

O terceiro cenário, que mais preocupa parte do governo brasileiro, é a repetição do modelo adotado contra instituições financeiras mexicanas. Naquele caso, os Estados Unidos aplicaram sanções contra bancos acusados de facilitar operações de lavagem de dinheiro para cartéis do narcotráfico.

O temor é que a classificação abra caminho para medidas financeiras contra pessoas físicas, empresas ou estruturas suspeitas de dar suporte econômico a organizações criminosas. Para integrantes do governo, são “perigos parecidos com a aplicação da Lei Magnitsky” a autoridades brasileiras.

Por isso, o governo brasileiro intensificou a interlocução com autoridades americanas e busca canais de diálogo para entender quais serão os efeitos concretos da medida. A avaliação é que, diferentemente da guerra tarifária, esse é um tema que envolve segurança, sistema financeiro e soberania nacional e, por isso, tem potencial de produzir consequências muito mais complexas.

Com informações de G1 — Política.