O bloqueio de R$ 1,6 bilhão em recursos do Ministério da Educação (MEC), anunciado em 29 de maio, ameaça o funcionamento de universidades federais. As instituições enfrentam risco de não pagar contas de água e energia, além de contratos de limpeza, vigilância e manutenção predial.
Segundo o governo, a medida foi necessária para cumprir as metas fiscais e ajustar os gastos à arrecadação prevista para 2026. A restrição orçamentária agrava a situação já delicada das universidades, que há tempos relatam dificuldades para custear despesas básicas.
Reações de reitores
O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, aliado ao governo Lula, gravou um vídeo nas redes sociais para manifestar preocupação, mas sem criticar a gestão. Para cobrir as dívidas de custeio, anunciou que usará recursos da Fundação Coppetec, antes destinados a projetos de pesquisa do Coppe, uma das principais entidades de pesquisa do país.
A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marcia Barbosa, conhecida como “tiktoker” e de esquerda, afirmou à Folha de S. Paulo que o governo não informou quando fará os repasses. “Eles dizem que vão pagar, mas não dizem quando. Isso é um problema quando você tem contas todo mês”, declarou. Ela também publicou um vídeo dizendo que buscará outras fontes para pagar funcionários terceirizados.
Unila e priorização de gastos
A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) informou ao jornal Tribuna do Paraná que os repasses semanais do MEC continuaram, mas em valor inferior ao necessário. Diante disso, a universidade disse que tem priorizado o pagamento de bolsas estudantis, contratos de serviços terceirizados e pequenos credores.
Posição do MEC e de entidades
Questionado pela Gazeta do Povo, o MEC não explicou como pretende resolver a falta de recursos. A pasta afirmou apenas que os bloqueios ocorrem todos os anos e atingem “programações cuja execução ocorre de forma mais concentrada nos últimos bimestres do exercício, de modo a não comprometer a continuidade das ações em andamento”, acrescentando que “realocações poderão ser revistas ao longo do exercício”. O ministério não detalhou quais programações nem como quitará as dívidas das instituições.
A Andifes, associação nacional dos dirigentes das instituições federais, não se manifestou oficialmente e não respondeu ao contato da Gazeta do Povo.
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) classificou o bloqueio como prejudicial ao funcionamento das universidades e cobrou a recomposição imediata dos recursos. Em nota, a entidade afirmou que os bloqueios recorrentes agravam o subfinanciamento das instituições e comprometem atividades essenciais como ensino, pesquisa e manutenção da infraestrutura.