O governo federal arrecadou R$ 2,13 bilhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais entre janeiro e meados de maio de 2025, antes da revogação da chamada 'taxa das blusinhas'. O dado é da Secretaria da Receita Federal.
O valor representa um crescimento de 15,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram arrecadados R$ 1,84 bilhão. Em 2025, a arrecadação total com o tributo atingiu R$ 5 bilhões, recorde histórico.

Contexto da taxação
Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes estavam isentas para empresas no programa Remessa Conforme. A medida foi uma resposta a pedidos da indústria nacional, que alegava concorrência desleal com produtos importados de baixo custo, impulsionados pelo aumento das compras digitais durante a pandemia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, mas classificou a decisão como 'irracional'. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a manutenção da taxa como forma de proteger a indústria nacional de produtos de baixo valor. Representantes dos setores produtivos, comércio e varejo também apoiaram a cobrança, afirmando que ela gerou empregos e benefícios ao consumidor.
Revogação e reações
Em meados de maio de 2025, o governo federal anunciou o fim da 'taxa das blusinhas', medida que gerou controvérsia entre consumidores, críticos e especialistas. Consumidores reclamavam que o tributo encarecia produtos populares e reduzia a atratividade de plataformas internacionais, enquanto críticos apontavam vantagem para turistas que não recolhem o imposto.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmaram que o fim da cobrança teve impacto imediato nos preços, afetando diretamente compras em sites como Shein, Shopee e AliExpress.
Cobrança estadual permanece
Apesar da revogação do imposto federal, os estados continuam taxando importações de pequeno valor por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com alíquotas que variam de 17% a 20%.