O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, informou nesta sexta-feira (19) que 25,2 milhões de brasileiros realizam apostas online por meio de plataformas ilegais no país. A declaração foi feita em coletiva na qual o governo também anunciou o bloqueio de recursos de bets ilegais, que serão destinados ao fundo de segurança pública, respeitando o devido processo legal.
Crime organizado e bets ilegais
Segundo o ministro, há “estímulos” para que o crime organizado migre para o setor de apostas ilegais, o que torna essencial uma atuação rigorosa do governo contra as empresas irregulares. Ele não detalhou quais seriam esses estímulos, mas associou a necessidade de repressão ao combate à criminalidade.

Operação e dados financeiros
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, acrescentou que apenas 350 pessoas, utilizando 37 instituições financeiras — em sua maioria fintechs ou instituições de pagamento — operavam mais de 40 mil aplicativos e sites ilegais que foram derrubados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
Na quinta-feira (18), o governo deflagrou a Operação Conto da Sorte contra um esquema criminoso de movimentação bilionária por meio de bets ilegais. As ações ocorreram nos estados de Pernambuco, São Paulo e Ceará. A investigação teve origem em análise técnica da SPA, após a prefeitura de Bodó, no Rio Grande do Norte, criar a autarquia Lotseridó.
Antes de encerrar suas atividades, em outubro de 2025, a Lotseridó passou a credenciar, de forma irregular, empresas de apostas de quota fixa que “permanecem atuando à revelia da SPA”, conforme apontou a Receita Federal. O montante movimentado pelas bets ilegais, segundo as autoridades, chega a bilhões de reais, mas os valores exatos serão revelados com os dados coletados nas buscas, apreensões e quebras de sigilo.
Próximos passos
O governo não detalhou o cronograma para o bloqueio dos recursos nem o valor total que será repassado ao fundo de segurança pública. As investigações prosseguem sob sigilo.