A Google, multinacional de tecnologia, solicitou à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) uma licença para liberar 32 milhões de mosquitos no país. O órgão poderá decidir sobre o pedido a partir de 5 de junho, após o período de consulta pública.
Segundo nota publicada no Registro Federal, o plano prevê a soltura anual de 16 milhões de mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus nos estados da Flórida e Califórnia, durante dois anos. Todos os mosquitos são machos e serão infectados com a bactéria Wolbachia pipientis.
Justificativa do projeto
A iniciativa faz parte do projeto Debug, da Google, que utiliza mosquitos machos esterilizados com bactérias do gênero Wolbachia para controlar a proliferação de doenças. A técnica é aplicada há mais de uma década. “Estamos tentando parar os mosquitos ruins criando e soltando os bons”, resume o site do projeto.
Mosquitos são os animais que mais matam pessoas no mundo, com cerca de 1 milhão de mortes anuais devido a doenças como malária e dengue. “Nossos mosquitos bons são machos que carregam uma bactéria chamada Wolbachia, que ocorre naturalmente, e os torna incapazes de gerar descendentes com as fêmeas selvagens. Mosquitos machos não picam nem transmitem doenças”, explica a Debug.
Técnica do inseto estéril
O método, conhecido como técnica do inseto estéril, é usado desde os anos 1950 em moscas e mariposas. Consiste em soltar machos inférteis na natureza para que acasalem com fêmeas selvagens, sem gerar descendentes, reduzindo a população ao longo do tempo. É um controle biológico mais localizado que pesticidas químicos.
A Debug desenvolveu um sistema automatizado para selecionar, entre milhões de mosquitos, apenas os machos infectados com Wolbachia para liberação. A técnica já teve sucesso em Singapura, onde o projeto alcançou redução de 80% a 90% na população do mosquito Aedes aegypti e diminuição de mais de 70% nos casos de dengue após 6 a 12 meses de liberações.
Foco nos EUA
Desta vez, o alvo são os pernilongos do gênero Culex, responsáveis pela principal causa de enfermidade transmitida por mosquitos nos EUA: o vírus do Nilo Ocidental. Segundo o CDC, mais de 1.300 americanos são acometidos anualmente pela forma grave da doença, que afeta o sistema nervoso central, e 130 morrem.
O projeto Debug é fruto da Verily, subsidiária da Alphabet, controladora da Google. Em março, a Verily adquiriu independência do conglomerado após operação de 300 milhões de dólares. A Debug permanece sob controle da Google desde dezembro de 2024, quando a empresa adquiriu a totalidade do projeto.
Com informações de Super Interessante.