O golfe vive um momento de expansão global. Após um ressurgimento durante a pandemia, o número de praticantes atingiu níveis recordes em 2025: mais de 160 milhões de pessoas em todo o mundo praticaram alguma modalidade do esporte, um aumento de quase 50% em relação a 2023. Nos Estados Unidos, a estimativa é que o número de participantes ultrapasse 50 milhões ao longo de 2026.
Campos de treino como o Topgolf e simuladores virtuais internos contribuíram para o aumento da participação, com uma nova onda de jogadores casuais impulsionando a demanda por gadgets. Em 2026, a inteligência artificial (IA) tornou-se um dos principais motores desse mercado.
De acordo com a empresa de pesquisa Mordor Intelligence, o mercado global de equipamentos de golfe atingiu um valor estimado de US$ 20,9 bilhões em 2026 e deve chegar a US$ 26,7 bilhões até 2031. Entre os fatores mais influentes para esse crescimento está a adoção de tecnologia baseada em IA.
Carrinho autônomo com IA
A startup belga Botronics desenvolveu o carrinho de golfe autônomo iXi, anunciado como um caddie digital. O veículo usa duas câmeras e um GPS pré-carregado com mapas de mais de 40 mil campos para se deslocar de forma autônoma, respondendo a comandos por gestos ou voz. Quando o usuário retira um taco da bolsa, uma câmera com IA reconhece que está no green e começa a se mover em direção ao próximo tee.
A câmera frontal filma cada tacada e a reproduz em uma tela com análise quadro a quadro da técnica, permitindo compartilhamento com treinadores via aplicativo. A tela também sugere a escolha do taco e a direção da mira, com visualização em tempo real do campo.
“Pense nisso como um computador com rodas, que não só está programado para fazer coisas incríveis, mas também continuará evoluindo”, disse Laetitia Fraikin, diretora de receitas da Botronics, à CNN. “O que é um caddy? É alguém que está no lugar certo na hora certa, que observa o que você faz e lhe dá conselhos... todas essas coisas agora são possíveis em um carrinho de golfe físico.”
Em desenvolvimento desde 2021, o carrinho está na fase de protótipo avançado e deve começar a ser comercializado em junho de 2027, após testes com jogadores. O preço de varejo é de US$ 5.385. Uma campanha de financiamento coletivo arrecadou cerca de US$ 1 milhão, e 125 unidades foram pré-encomendadas nos primeiros 10 minutos.
IA em tacos e aplicativos
O esporte já vinha adotando IA. A Callaway usa aprendizado de máquina desde 2019 para projetar tacos, como a linha Ai Smoke. A Wilson lançou em 2024 o aplicativo Fit AI, que analisa tacadas em monitores de lançamento para recomendar tacos personalizados.
Em abril, o bicampeão do US Open Bryson DeChambeau liderou um grupo de investidores na aquisição da Sportsbox AI, cujo aplicativo 3D Golf cria um avatar com captura de movimento para feedback técnico. DeChambeau também consultou o assistente de IA do Google, Gemini, para ajustar seu swing e desenvolveu um treinador de IA em parceria com o Google Cloud.
O aplicativo SWEE lançou “clones” de treinadores reais criados por IA, oferecendo feedback personalizado e planos de treino por assinatura. Já o telêmetro Smart Laser da Arccos usa dados de mais de 1,5 bilhão de tacadas para sugerir taco e alvo, considerando vento e altitude.
Desafios e regulamentação
Estudo de 2025 da Universidade de Loughborough aponta que custos e complexidades da adoção de IA representam “desafios significantes” para sua integração no esporte. A Mordor Intelligence destaca o alto investimento inicial como o maior obstáculo ao crescimento do mercado.
O carrinho iXi custa milhares de dólares a mais que um modelo padrão; o telêmetro Arccos sai a partir de US$ 299,99, com assinatura anual de US$ 199,99 após o primeiro ano; e um conjunto de ferros Callaway Ai Smoke pode chegar a quase US$ 800.
Além disso, o golfe é um esporte tradicional, e nem todos os avanços tecnológicos são permitidos em competições. O Arccos tem um “modo de competição” que desativa métricas avançadas. A Botronics também incorpora recurso para que o carrinho funcione apenas como transportador manual em torneios.
“Muitas coisas que fazemos ainda não são regulamentadas, então será interessante ver para onde a regulamentação vai”, disse Fraikin. “Nem tudo será um problema, mas espero que algumas coisas sejam.”
Com informações de CNN Brasil.