O Goldman Sachs iniciou a cobertura da Totvs (TOTS3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 45 por ação, o que representa um potencial de valorização de 33,8% em relação ao fechamento de 3 de julho de 2024. O banco destaca a combinação de crescimento consistente, receitas recorrentes e novos vetores de expansão.
A avaliação positiva está apoiada principalmente na posição de liderança da Totvs nos segmentos de software de gestão, Enterprise Resource Planning (ERP) e Software as a Service (SaaS) para pequenas e médias empresas. O principal motor da tese continua sendo a divisão de gestão, que deve responder por cerca de 90% da receita e 95% do Ebitda da companhia em 2025.
Nuvem, um dos principais vetores de crescimento
O Goldman Sachs projeta crescimento da receita em ritmo de dois dígitos médios nos próximos anos, impulsionado pela venda cruzada, reajustes atrelados à inflação e expansão gradual da carteira. Entre os fatores que sustentam essa expectativa está a migração para a nuvem. Segundo os analistas Irma Sgarz, Felipe Rached e Gabriela Leme, a receita dessa operação avançou 33% em 2025 e já representa cerca de 15% da receita da divisão de gestão. Aproximadamente 40% dos clientes elegíveis já migraram para a T-Cloud. Além disso, soluções voltadas à preparação para inteligência artificial, como organização de dados, APIs e infraestrutura em nuvem, vêm ganhando participação nas receitas recorrentes.
Reforma tributária pode impulsionar demanda
Outro ponto que reforça a tese é a reforma tributária. O Goldman Sachs avalia que as mudanças previstas entre 2026 e 2033 devem exigir adaptações nos processos e sistemas das empresas brasileiras, criando oportunidades para fornecedores de ERP. A Totvs larga na frente por já ter adequado suas soluções ao novo modelo tributário e participar de grupos de trabalho relacionados à implementação da reforma.
IA é mais oportunidade do que ameaça
Quando o assunto é inteligência artificial (IA), o banco vê mais oportunidades do que riscos no curto prazo. Sistemas de ERP desempenham funções críticas e exigem alto grau de precisão, dificilmente sendo substituídos por modelos de IA generativa. O Goldman Sachs destaca a plataforma Lynn, lançada em fevereiro de 2026 para orquestrar agentes de IA dentro dos sistemas de gestão, embora reconheça que a solução ainda está em estágio inicial de adoção e monetização.
Aquisição da Linx reforça a tese
A aquisição da Linx, anteriormente controlada pela Stone, também aparece como um dos pilares. O Goldman estima que a operação adiciona cerca de 20% à receita e 12% ao Ebitda da Totvs, além de abrir espaço para ganhos de eficiência, venda cruzada e captura de sinergias. O banco vê potencial para expansão significativa das margens da Linx nos próximos anos.
Embora reconheça que as ações negociam com prêmio em relação à média do mercado brasileiro, o Goldman Sachs considera que essa avaliação é justificável pela qualidade dos resultados, margens elevadas e forte crescimento esperado dos lucros. A projeção é de uma expansão anual de 28% no lucro por ação entre 2026 e 2028. Os analistas argumentam que o desconto atual da ação em relação ao nível dos juros de longo prazo sugere espaço adicional para valorização.
Entre os principais riscos, o relatório cita: desaceleração econômica que afete a demanda por software; maior competição de empresas nativas de IA; dificuldades na integração de aquisições; e desafios na execução da estratégia de venda cruzada, especialmente em negócios mais recentes, como RD Station e Linx.
Com informações de Seu Dinheiro.