Grandes empresas de tecnologia estão investindo em uma nova geração de computadores capazes de realizar tarefas complexas sem a intervenção constante do usuário. Após anos de assistentes digitais limitados a funções básicas, como definir alarmes, a Nvidia, a Microsoft e o Google apresentaram tecnologias que prometem viabilizar agentes de inteligência artificial autônomos.

Segundo Bob O'Donnell, fundador e analista-chefe da Technalysis, o objetivo final é permitir que o usuário simplesmente diga ao computador o que deseja e o equipamento execute a ação. A Nvidia e a Microsoft estão reformulando o sistema Windows para incorporar esses recursos.

Novos chips e laptops com IA local

Em 1º de junho, a Nvidia revelou o chip RTX Spark para laptops com Windows. Projetado para executar agentes de IA sem conexão com a nuvem, o componente combina tecnologias gráficas, de computação e de rede com mais memória do que um laptop padrão. Fabricantes como Dell, HP e Lenovo lançarão computadores equipados com o novo chip no outono do hemisfério norte.

O Google também prepara o lançamento do Google Books, que poderá sugerir ações ao usuário — como agendar uma reunião — quando o cursor do mouse for posicionado sobre elementos na tela, como uma data em um e-mail.

Evolução dos assistentes digitais

Há anos, empresas tentam criar assistentes para tarefas rotineiras, como montar carrinhos de compras ou planejar viagens. Os modelos anteriores conseguiam lidar apenas com ações individuais, mas o cenário mudou com o avanço dos grandes modelos de linguagem, impulsionados pelo lançamento do ChatGPT no final de 2022.

O OpenClaw, assistente de IA que se tornou sucesso entre desenvolvedores em 2025, exemplifica essa transformação. O agente executa programas e conclui solicitações sem necessidade de intervenção constante. Desenvolvedores relataram à CNN que o utilizam para pesquisas em computadores domésticos dedicados, monitorando o progresso por mensagens no WhatsApp ou Telegram.

De acordo com a Bloomberg e o The Wall Street Journal, alguns funcionários de tecnologia já adotam comandos de voz para agentes de IA em vez de digitar. David Naranjo, diretor associado da Counterpoint Research, observa que mais pessoas se acostumaram a usar serviços como ChatGPT, Gemini ou Anthropic.

Demonstrações e novos produtos

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, demonstrou em uma conferência de imprensa como um laptop com o novo chip pode auxiliar no projeto de uma casa, utilizando agentes de IA em conjunto com aplicativos de modelagem 3D. A Microsoft, por sua vez, anunciou na terça-feira a criação do agente Scout para o Microsoft 365, baseado na tecnologia do OpenClaw.

Desafios para a adoção em massa

Apesar dos avanços, especialistas apontam que a maioria das pessoas ainda não conseguirá controlar seus computadores com poucos comandos. O alto custo dos novos laptops é uma barreira significativa, e o uso pelo consumidor ainda não justifica a compra de equipamentos caros para acompanhar a tecnologia, segundo Naranjo.

Jitesh Ubrani, gerente de pesquisa da International Data Corporation, destaca que há questões de confiança a serem resolvidas antes que a tecnologia se torne um produto de massa. Ele cita o exemplo de um agente de IA que interpreta mal o orçamento e compra ingressos mais caros do que o desejado. "Há uma série de questões que precisam ser resolvidas antes que isso se torne um produto de mercado de massa", afirmou. "Mas estamos no caminho certo? Sim."

Além disso, a IA costuma ser mais útil para empresas do que para consumidores individuais, e o processamento local de tarefas, sem envio de dados para a nuvem, geralmente é mais seguro e pode ser mais barato para as corporações.

Com informações de CNN Brasil.