No dia 28 de agosto de 2023, as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto, da Polícia Federal, revelaram que a gestora Reag movimentava ao menos dez fundos para lavar dinheiro de empresas do setor de combustíveis que negociavam com o Primeiro Comando da Capital (PCC). João Carlos Falbo Mansur, dono da Reag, era também sócio do fundo Mabruk II, um dos principais do esquema.
Além de abrigar operações suspeitas de auxiliar o crime organizado, a Reag usou sua estrutura para inflar ativos que permitiram ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, expandir seus negócios. Sem a Reag criando ativos fictícios, o banco não conseguiria emitir certificados de depósito bancários (CDBs) com rentabilidade acima da média, o que resultou em um rombo de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante aplicações de até R$ 250 mil por investidor.
Reportagem da revista piauí mostra como o centro financeiro da Faria Lima, em São Paulo, silenciou sobre as suspeitas envolvendo a Reag e o Master. A gestora acumulava irregularidades: alocava ativos em fundos de forma indevida, reavaliava patrimônios sem critérios consistentes, deixava de divulgar demonstrações financeiras obrigatórias e usava terrenos para inflar artificialmente o patrimônio de fundos, criando ativos sem lastro. A Anbima, que representa empresas do mercado de capitais, detectou 23 autuações contra a Reag.
Apesar das suspeitas, a Faria Lima convivia bem com a Reag, que em treze anos se tornou a maior gestora independente da região, com mais de quinhentos fundos sob gestão e patrimônio de R$ 340 bilhões. A Anbima só retirou seu selo de boas práticas e excluiu a gestora em 15 de janeiro de 2024, data em que a Reag foi liquidada pelo Banco Central. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou 77 processos contra a gestora, mas apenas oito viraram acusação e ninguém foi condenado até hoje.
Acima desse emaranhado de empresas (Reag, Trustee, Banvox, Planner), havia a Sefer Investimentos, de Benjamin Botelho, que atuou como braço direito de Vorcaro, mas também de Maurício Quadrado (ex-sócio do Master) e do empresário Nelson Tanure, suspeito de ser o sócio oculto do Master. Vorcaro confiava tanto em Botelho que lhe entregou a gestão de fundos e empresas que controlavam seu patrimônio pessoal, incluindo imóveis milionários e sua própria participação no Master. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, 48% do patrimônio da Sefer – equivalente a R$ 9,6 bilhões – está ligado a Vorcaro e ao Master.
O dado mais incômodo é que todos esses operadores circulam na Faria Lima há décadas. Para um delegado da Polícia Federal que acompanha as investigações, Daniel Vorcaro, hoje com 42 anos, é a exceção em termos etários. “Quando você pega a Compliance Zero”, disse o delegado, referindo-se à operação que prendeu Vorcaro, “essas figuras – Botelho, Quadrado, Tanure e Mansur – operam no mercado há mais de trinta anos.”
Com informações de Revista Piauí.