O geólogo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Rualdo Menegat afirmou que a gestão ambiental no estado está em situação de falência, o que amplia os efeitos de desastres relacionados às mudanças climáticas. Em entrevista ao Sul21, publicada no Dia do Meio Ambiente (5 de junho), ele analisou as falhas na preparação para eventos extremos e o desmonte de instituições ambientais.

Menegat, que coordena o Atlas Ambiental de Porto Alegre, disse que as enchentes de 2024 não foram causadas apenas pela chuva intensa, mas pelo modo como o território foi ocupado. Ele citou a Região Metropolitana de Porto Alegre, situada em área baixa de terras úmidas que concentra águas do Planalto Meridional, e apontou a falta de programas metropolitanos de gestão ambiental. Segundo ele, órgãos como a Metroplan, a Fundação Zoobotânica (extinta em 2016) e a Fundação de Economia e Estatística foram desativados, eliminando a inteligência do Estado em planejamento territorial.

Para o geólogo, o negacionismo climático e o desmantelamento de leis e estratégias ambientais dificultam o enfrentamento da emergência climática. Ele destacou que a atenção pós-desastre se concentrou na reconstrução de infraestrutura, sem avançar na redução de riscos futuros. “Precisamos de uma tomada de consciência de como diminuir os riscos de forma paulatina, e isso não tem acontecido”, afirmou.

Menegat listou mais de dez ameaças climáticas no Rio Grande do Sul, incluindo precipitações extremas, secas, ciclones extratropicais e ressacas na orla. Ele defendeu uma mudança cultural e medidas de médio e longo prazo, como a contenção de água no Planalto e nas cabeceiras, em vez de diques nas áreas baixas. “Precisamos ter um outro modo de ocupar a terra, de plantar, de pensar o nosso território, de maneira que tenhamos um plano global e integrado de viver no Rio Grande do Sul”, disse.

O professor também criticou a fragmentação regional e a ausência de integração por bacias hidrográficas. Ele ressaltou que a população vive em estado de ansiedade diante de anúncios como o de um super El Niño, por não perceber medidas concretas de controle de risco. “Nesse Dia do Meio Ambiente, precisamos transformar a ansiedade em questões práticas, em mais programas de controle do risco”, concluiu.

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.