O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta 5ª feira (25.jun), durante apresentação do RPM (Relatório de Política Monetária), que críticas à condução da política monetária são “naturais” em um ambiente de juros elevados e incerteza, mas disse que a autoridade monetária não deve ser pressionada a antecipar decisões futuras.

“Existe uma confusão entre ser mais claro na comunicação e sinalizar o que vai ser feito à frente. Uma coisa não pode ser confundida com a outra. A gente pode ser claro sem precisar dizer o que vai fazer no futuro”, disse Galípolo, ao comentar cobranças por maior previsibilidade do BC.

O presidente do BC afirmou que, em momentos de maior incerteza, é comum a demanda do mercado por orientações mais explícitas sobre o rumo da Selic, mas ressaltou que esse tipo de sinalização pode ser contraproducente.

“É normal esse pedido por ‘guidance’, mas o Banco Central não pode se comprometer com decisões futuras porque isso depende dos dados que ainda vão chegar”, afirmou.

Galípolo também citou a divisão de expectativas entre agentes econômicos como fator que torna a decisão mais complexa.

Segundo ele, em uma reunião recente, cerca de 55% do mercado defendia um corte de juros, enquanto 45% avaliava a manutenção da taxa, o que levaria inevitavelmente a críticas independentemente da decisão tomada. “Qualquer decisão que você tome, metade vai achar que está errado”, disse.

O presidente do BC afirmou ainda que o objetivo da instituição não é construir consenso com o mercado, mas tomar decisões baseadas em dados e no mandato de controle da inflação.

Ele criticou a leitura de que o Banco Central deveria necessariamente alinhar expectativas de forma unânime entre analistas e participantes do mercado.

Ao comentar a comunicação da autoridade monetária, Galípolo reconheceu que trechos do último comunicado geraram interpretações divergentes e afirmou que houve excesso de explicação em um espaço limitado.

“Talvez tenha sido um caso de tentar explicar demais em um comunicado que é necessariamente conciso”, disse. Acrescentou que a instituição avalia tornar futuras comunicações mais diretas.

Ele reforçou que a estrutura de decisões do BC se baseia em cenários e governança de risco, e não em compromissos sobre trajetórias futuras de juros, destacando que a política monetária reage à evolução dos dados e não a um roteiro previamente definido.