O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou a distribuição dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral para as eleições gerais de 2026 entre 30 partidos. Os critérios de repasse tornaram-se prioridade máxima para as legendas, que já começam a definir como aplicarão os recursos. O fundo foi criado após a proibição de doações privadas por empresas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Principais beneficiados

Os cinco partidos que mais receberão verbas do fundo são:

  • PL — R$ 881 milhões
  • PT — R$ 615 milhões
  • União Brasil — R$ 526 milhões
  • PSD — R$ 421 milhões
  • PP — R$ 417 milhões

Além do Fundo Eleitoral, as campanhas contam com o Fundo Partidário, destinado a despesas administrativas dos partidos, como contas de luz, água e aluguel.

Gastos presidenciais em 2022 como referência

Segundo dados do TSE, os candidatos à Presidência em 2022 declararam R$ 336,7 milhões em despesas pagas, dos quais R$ 244,9 milhões (72,74%) vieram de recursos públicos e R$ 91,8 milhões (27,26%) de fontes privadas. Do total público, R$ 215,3 milhões (87,9%) saíram do Fundo Eleitoral e R$ 29,6 milhões (12,1%) do Fundo Partidário.

O tesoureiro da campanha de Lula à reeleição, José de Filippi Junior, afirmou que “apenas em agosto teremos um panorama mais completo da divisão de gastos. Estamos estudando com muito cuidado e tendo como referência a campanha passada”.

Maiores despesas em 2022

As despesas com produção de programas para rádio, televisão ou vídeo lideraram os gastos dos presidenciáveis em 2022, totalizando R$ 81,3 milhões. Em seguida, o impulsionamento de conteúdos na internet somou R$ 67,3 milhões. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) respondeu por quase metade desse montante (R$ 33 milhões), enquanto a campanha de Lula gastou R$ 25 milhões.

Outras despesas relevantes incluíram:

  • contratação de serviços: R$ 52,9 milhões
  • publicidade impressa: R$ 41,9 milhões
  • adesivos: R$ 19,5 milhões

O Google foi o maior fornecedor, recebendo R$ 55,7 milhões, seguido por empresas de consultoria em comunicação e marketing. O Facebook apareceu em sétimo lugar, com R$ 8,7 milhões.

Teto de gastos e correção

Nas últimas eleições, o limite para campanha presidencial foi de R$ 88,9 milhões no primeiro turno e R$ 44,3 milhões no segundo. Para 2026, os valores ainda não foram oficialmente definidos pelo TSE, mas a regra tradicional é a correção pelo IPCA do montante anterior.

Estratégias partidárias

O PT, por exemplo, definiu como prioridade máxima a reeleição do presidente Lula, destinando o maior valor possível para sua campanha. A secretária nacional de finanças do PT, Gleide Andrade, declarou: “Estamos discutindo isso semanalmente. Estamos definindo a distribuição conforme o que o PT estabeleceu na sua resolução política do ano passado: prioridade número 1 para a reeleição do Lula e depois do Congresso”.

Além dos candidatos ao Senado e à Câmara, os partidos também distribuem recursos para candidatos a governos estaduais e assembleias legislativas. O foco de cada candidatura fica a critério de cada campanha.

O caso do partido Missão

O Missão, partido mais jovem do Brasil, terá direito à cota mínima de 2% do fundo, equivalente a R$ 3.307.679,85. Esse valor será destinado a candidatos a deputado federal. O partido lançou Renan Santos à Presidência e, diante do baixo financiamento público, organizou uma vaquinha que arrecadou mais de R$ 1 milhão com 17 mil doadores. A chefe de campanha Amanda Vettorazzo afirmou que “os principais gastos ocorrerão, assim como na pré-campanha, com viagens para todos os estados da Federação, mantendo o compromisso de visitar não apenas as capitais, mas também cidades menores”.

Inteligência artificial na campanha

As ferramentas de IA devem ser mais empregadas nesta eleição. O TSE editou uma resolução com regras para o uso e criou uma comissão permanente sobre o tema. A advogada eleitoral Gabriela Rollemberg avalia que a IA será um dos maiores desafios: “Com certeza a tendência é que cresça os gastos com inteligência artificial, até porque muitas ferramentas novas surgiram”.

Já o advogado Alexandre Bissoli, membro da Abradep, pondera que o custo maior não está nas ferramentas em si, mas na contratação de profissionais habilitados: “Penso que as ferramentas em si não são o mais caro. Mas sim os profissionais que terão expertise em fazer o uso agregando à micro segmentação e atendimento às regras de algoritmos”. Ele acrescenta que as campanhas estão investindo mais em agências de tráfego pago do que em marqueteiros tradicionais.