O Fundo Amazônia captou R$ 2,6 bilhões em doações internacionais e aprovou investimentos de quase R$ 4,3 bilhões em projetos entre 2023 e maio de 2025. Os números, divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo BNDES nesta quinta-feira (11), contrastam com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando nenhum novo projeto foi aprovado e as doações ficaram paralisadas.

No terceiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a média anual de projetos aprovados foi de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, valor quatro vezes superior à média registrada entre 2009 e 2018. Do total arrecadado em doações, R$ 2 bilhões já foram contratados e R$ 600 milhões ainda aguardam o fechamento de contratos.

Doadores e valores

Atualmente, contribuem com o fundo oito países e a União Europeia: Noruega, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Suíça, Irlanda e Japão. O maior valor já fechado desde o início do novo governo é da Noruega, com R$ 618 milhões. Em segundo lugar está o Reino Unido, com R$ 555 milhões.

Desembolsos e comparação histórica

O valor desembolsado pelo fundo atingiu uma média de R$ 263 milhões por ano, considerando também os pagamentos de janeiro a maio de 2025, que registraram recorde histórico. Esse valor supera tanto a média do governo Bolsonaro (R$ 149 milhões) quanto a do período 2010-2018 (R$ 206 milhões). No caso do governo anterior, os desembolsos referem-se a projetos fechados antes, já que não houve aprovação de novas propostas. Segundo o BNDES, o valor desembolsado é menor que o dos projetos, pois os pagamentos ocorrem ao longo do tempo, conforme o cumprimento das metas contratuais.

Projetos apoiados

O período de 2023 a 2026 representa 60% de todas as aprovações e contratos do fundo desde sua criação, em 2008. Ao todo, 75% dos municípios da Amazônia Legal contam com projetos, de acordo com o governo. Entre as iniciativas, destaca-se o Restaura Amazônia, que recebeu R$ 450 milhões para restaurar a região sul e sudeste da floresta, a mais devastada. O projeto prevê a geração de 6 mil empregos, o plantio de 24 milhões de árvores, a restauração de 14 mil hectares e a captura de 4,5 milhões de toneladas de gás carbônico em 30 anos. Na quarta-feira (10), o presidente Lula oficializou o repasse de R$ 393 milhões para esse projeto.

Outra área de investimento são as populações que protegem a floresta, com R$ 1,2 bilhão destinados a geração de renda, saneamento e educação. Para prevenção e combate a incêndios florestais, foram alocados R$ 521 milhões, voltados à compra de equipamentos para bombeiros, capacitação e construção de bases operacionais. A medida é reforçada pela previsão de um super El Niño em 2025, fenômeno climático que aumenta o risco de secas e incêndios.

Declarações de autoridades

Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, destacou a escala dos investimentos: "Imagina a gente tentar fazer a restauração na borda da Amazônia, como o Restaura Amazônia, com um projetinho de R$ 10 milhões? (…) Mas com um projeto de R$ 450 milhões dá para entrar em um território todo. Isso não só muda a escala. Muda o impacto, muda o resultado, porque vai ser um viveiro ajudando o outro, cria uma sinergia que viabiliza que isso vire um grande negócio envolvendo agricultura familiar e camponesa."

Guilherme Checco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Meio Ambiente, afirmou que mecanismos como o Fundo Amazônia e o Fundo Clima colocam o Brasil "na liderança da construção de um novo setor econômico, que é restaurar, plantar floresta e viabilizar com isso um novo negócio, uma fonte de recursos e de emprego e renda para o país". O Fundo Clima, também gerido pelo BNDES, oferece financiamento com taxas de juros reduzidas para projetos de mitigação de emissões e adaptação climática.