A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) desenvolve um estudo para mapear aquíferos aluviais no Ceará, formações subterrâneas que armazenam água nos leitos de rios e riachos. O objetivo é identificar áreas com potencial hídrico e fornecer informações para a gestão dos recursos, especialmente em períodos de estiagem.
De acordo com a pesquisadora Rafaela Alves, doutora em Geodinâmica e Geofísica, o estado possui uma extensa rede de drenagem sobre terrenos cristalinos, onde sedimentos arenosos formam reservatórios naturais. “Assim como os açudes armazenam água na superfície, os aquíferos aluviais guardam água no subsolo. O desafio é que esses reservatórios são ‘invisíveis’, o que dificulta seu conhecimento e sua gestão”, explica.

A iniciativa utiliza sensoriamento remoto e processamento de dados com imagens de satélite gratuitas, que identificam aluviões pela resposta espectral da vegetação e umidade do solo. Algoritmos em Python otimizam o tratamento dos dados, sem custos adicionais para o estado.
Alternativa estratégica para secas
Segundo Rafaela, o conhecimento dos aquíferos aluviais é fundamental para a resiliência hídrica do semiárido. Durante a seca de 2012 a 2018, as águas subterrâneas foram decisivas para o abastecimento, e o governo estadual perfurou mais de três mil poços entre 2015 e 2018. Os poços usados para validar o mapeamento são monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), com visitas de campo em parceria com a empresa.

“O mapeamento permite localizar áreas com maior potencial de armazenamento. Essas reservas podem ser alternativa para abastecimento humano, agricultura familiar e dessedentação animal durante longos períodos de estiagem”, destaca a pesquisadora. O estudo também estima o potencial hídrico de cada área para evitar superexploração e garantir sustentabilidade.
Os melhores resultados atuais ocorrem em terrenos cristalinos, que cobrem cerca de 70% do Ceará, onde há maior acúmulo de sedimentos.
Benefícios para comunidades rurais
Com informações precisas sobre os depósitos aluvionares, será possível reduzir custos e incertezas na busca por água subterrânea. “Em muitas comunidades rurais, a disponibilidade de água é determinante para a criação de animais, a produção agrícola e até mesmo para a permanência das famílias no território”, afirma Rafaela. O projeto visa subsidiar gestores públicos na definição de áreas prioritárias para perfuração de poços e planejamento de ações de segurança hídrica.
Pesquisa em expansão
A equipe trabalha no refinamento do mapeamento e já identifica regiões com maior potencial. “O projeto tem uma fase de mapeamento dos aluviões e outra de estimativa do potencial. A fase de mapeamento está bem avançada, com um primeiro produto e refinamento em curso”, explica a pesquisadora. Próximas etapas incluem estimativa detalhada da capacidade hídrica e desenvolvimento de modelos numéricos para simular cenários de uso da água.
Essas ferramentas poderão apoiar a instalação ou ampliação de sistemas de captação subterrânea. A metodologia tem potencial para ser aplicada em outros estados brasileiros com escassez hídrica.
Com informações de Governo do Ceará — leia a matéria original.