A fruta brasileira que conquistou o mundo por sua característica energética acaba de ganhar pontos extras no curriculo. A ciência acaba de descobrir que o açaí, símbolo da Amazônia, possui propriedades benéficas para o cérebro dos adolescentes. Estudo recente, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), revelou que os compostos bioativos do açaí têm efeitos neuroprotetores durante esta fase da vida, que é considerada uma das mais delicadas e intensas do desenvolvimento cerebral.

Durante os testes, foi observado que o consumo de suco clarificado de açaí (altamente concentrado em antocianinas e compostos fenólicos) reduziu drasticamente o estresse oxidativo em áreas cerebrais cruciais, como as responsáveis por controle das emoções, tomada de decisões e memória. Os resultados em modelos experimentais mostraram efeitos semelhantes aos de remédios ansiolíticos e antidepressivos, consolidando o açaí como um poderoso alimento funcional.

Por que a adolescência?

Segundo os pesquisadores, a adolescência é marcada por intensa remodelação neural e elevada plasticidade cerebral, tornando o cérebro mais vulnerável a fatores externos, e alimentos ricos em antioxidantes podem desempenhar papel relevante na proteção das células nervosas e na manutenção da saúde cognitiva.

Para a nutricionista Monica Magalhães, da Seed Nutrição e Gastronomia, os benefícios estão diretamente ligados à composição nutricional da fruta. “O açaí é uma das maiores fontes naturais de antocianinas, compostos antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres e a reduzir processos inflamatórios. Quando inserido em uma alimentação equilibrada, pode contribuir para a saúde cerebral, especialmente em períodos de intenso desenvolvimento cognitivo, como a adolescência.”

Os cientistas destacam que os resultados ainda estão em fase pré-clínica e que novos estudos em humanos serão necessários para aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos. Ainda assim, as evidências fortalecem o crescente interesse da comunidade científica pelo potencial do açaí como alimento funcional e nutracêutico.

“Além da ação antioxidante e neuroprotetora, pesquisas anteriores já relacionaram o consumo do açaí a efeitos anti-inflamatórios, cardioprotetores e de proteção celular, atributos associados à elevada concentração de compostos fenólicos presentes na fruta”, finaliza a nutricionista.

Para quem trabalha com o fruto, a novidade só comprova o que a sabedoria popular já sabia. “Estudos como esse reforçam aquilo que o consumidor já percebe no dia a dia, de que estamos diante de um alimento com propriedades funcionais cada vez mais reconhecidas pela ciência”, afirma Rodrigo Santana, diretor de expansão da rede de franquias Açaí Formosa.