A fotojornalista independente Courtney Bonneau, natural de Plainville, Massachusetts, vive no Líbano há cinco anos e, desde 2023, registra os confrontos na região de Tiro. Em entrevista à Opera Mundi, ela afirmou que os impostos dos cidadãos americanos estão sendo usados para matar civis desarmados.

Bonneau contou que sua percepção sobre o conflito mudou em 2014, durante uma viagem à Cisjordânia. "Assim que avistei o muro de separação e a presença militar ao redor dele, soube que tudo o que a mídia ocidental havia me contado sobre a situação estava errado", relatou.

A jornalista destacou que, por ser mulher, tem acesso a histórias de outras mulheres que sofrem violências específicas. Ela também criticou a cobertura dos grandes veículos de imprensa, afirmando que o que ocorre no sul do Líbano se enquadra nos parâmetros de genocídio.

Entre os momentos mais difíceis de fotografar, Bonneau citou funerais e locais de bombardeio com corpos de crianças. "Há um grito gutural que vem de todos os pais, independentemente de a pessoa que estão enterrando ser uma criança de cinco anos ou um adulto de 35. Fui a mais de 50 funerais no último ano e posso dizer que o grito é sempre o mesmo", disse.

Ela mencionou uma fotografia em particular que não consegue olhar: a de um pai enterrando o filho, um paramédico morto em um ataque "double-tap" a uma ambulância em Tiro, em 2024. "O pai soltou o grito e depois tentou pular na cova. Infelizmente, eu capturei aquele momento", recordou.

Sobre a suposta insensibilidade de jornalistas em zonas de conflito, Bonneau acredita que se trata de uma reação natural à exposição diária ao horror. "As imagens, os sons e os cheiros de uma cena de massacre são coisas que os seres humanos não foram feitos para suportar todos os dias", afirmou.

A fotojornalista, que também tem cidadania holandesa, disse esperar que seu trabalho sirva como prova concreta de "atos genocidas contra o povo libanês perpetrados pelo exército israelense". Ela afirmou que continuará documentando a situação, que considera de limpeza étnica e ecocídio.

Com informações de Brasil de Fato.