Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o colunista defende que o crescimento do poder do Parlamento nas últimas décadas não apenas inverteu o equilíbrio entre Executivo e Legislativo, mas também oferece ao eleitorado a oportunidade de demonstrar que o próximo Congresso pode ser melhor que o anterior. Para isso, segundo o texto, é necessário observar pré-requisitos na escolha de deputados e senadores.

Entre os critérios apontados estão a renúncia ao pertencimento a bolhas ideológicas, a atenção máxima ao cardápio de candidatos —com prioridade semelhante à dada aos postulantes à Presidência— e o abandono de elementos como carisma e promessas irreais. O colunista também defende que os parlamentares eleitos devem ter identificação programática com o candidato a presidente, não necessariamente ideológica, para facilitar o ato de governar.

O texto ressalta que não se trata de interditar a oposição, mas de distinguir os papéis dos Poderes no sistema presidencialista. O autor questiona se os beneficiários da atual distorção têm interesse em explicar que, se desejam exercer o controle do Orçamento, devem também ter responsabilidade na execução das políticas públicas. Sem essa atribuição clara, o Congresso continuaria a ditar ações do governo sem arcar com as consequências, situação descrita como confortável para o Parlamento, mas de evidente distorção institucional.

O colunista conclui que, se não for possível mudar o sistema —rejeitado duas vezes em plebiscito—, a correção deve vir pelo voto consciente. A população, convencida de que a eleição de congressistas influi no ato de governar, tem a chance de agir. O melhor caminho, segundo o artigo, é prestar atenção e empregar rigoroso escrutínio ao que dizem os candidatos sobre a utilidade que pretendem dar aos mandatos e sobre o papel que acreditam caber ao Congresso.

Com informações de Folha — Poder.