Os economistas consultados pelo Banco Central elevaram as projeções para a inflação e a taxa básica de juros (Selic) no fim deste ano, conforme o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15). Apesar disso, a mediana das expectativas ainda aponta para um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa nesta terça-feira (16).
Inflação supera teto da meta
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,11% para 5,30%, ficando bem acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%. O Banco Central define a meta em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A nova estimativa é a maior registrada neste ano e foi elevada pela 14ª semana consecutiva, reflexo dos efeitos da guerra no Irã sobre os preços.
Para os próximos anos, as expectativas também aumentaram: em 2027, a inflação projetada passou para 4,10% (alta de 0,07 ponto), e em 2028, para 3,68% (ante 3,65%).
Selic deve cair, mas permanece alta
A taxa Selic esperada para o fim do ano foi ajustada de 13,5% para 13,75%. No entanto, os analistas mantiveram a aposta de um corte de 0,25 ponto na reunião de quarta-feira (17), o que reduziria a taxa de 14,5% para 14,25%. Para 2027, a Selic prevista subiu de 11,5% para 12%; para 2028, de 10% para 10,25%.
Dólar e PIB também têm revisões
A cotação do dólar projetada para o fim do ano subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20. Já o Produto Interno Bruto (PIB) teve leve melhora: a expectativa de crescimento passou de 1,91% para 1,96%. As projeções para os anos seguintes permaneceram estáveis em 1,7% (2027) e 2% (2028 e 2029).
Pesquisa capta cenário antes de acordo no Oriente Médio
A pesquisa foi fechada na última sexta-feira (12), antes de Estados Unidos e Irã anunciarem, no domingo (14), um acordo preliminar de paz para a guerra no Oriente Médio. O conflito havia elevado os preços do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Hormuz, pressionando a inflação.