Flávio Bolsonaro participou nesta segunda-feira (22), em Brasília, de um encontro da Confederação Nacional da Indústria com presidenciáveis tentando apresentar uma agenda econômica para sua pré-candidatura.
Até agora, o senador não expôs um programa claro para a área. Também não indicou um nome capaz de cumprir o papel que Paulo Guedes exerceu na campanha de Jair Bolsonaro em 2018, quando foi apresentado como o “Posto Ipiranga” da economia.
Diante dos empresários, Flávio defendeu austeridade fiscal, corte de despesas, redução da burocracia e críticas à política econômica do governo Lula. O discurso dialoga com a agenda do mercado e com propostas defendidas pela CNI, mas o senador evitou assumir integralmente medidas mais impopulares.
A entidade entregou aos candidatos um documento com propostas que incluem mudança na regra de valorização do salário mínimo, reajuste de aposentadorias apenas pela inflação, redução do BPC, revisão ou extinção do abono salarial e desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação.
Flávio, porém, disse que não pretende mexer nos pisos de saúde e educação e indicou que manteria o salário mínimo corrigido pela inflação. A posição mostra a tentativa de acenar ao empresariado sem comprar publicamente toda a agenda de redução do Estado social.
O senador também afirmou que, se eleito, pretende revogar a reforma tributária, apesar de a CNI ter apoiado a proposta desde a tramitação no Congresso, em 2023. Questionado por um conselheiro da entidade, que se declarou favorável às mudanças, Flávio manteve a posição.
“Votei contra a reforma não por ser contra, mas porque trará maior imposto de valor agregado do mundo. É por isso que nossa taxa de juros está tão descontrolada”, afirmou.
Ele também criticou a Selic, que chegou a 14,25% na última quarta-feira (17), e atribuiu os juros altos à política fiscal do governo Lula.
A crítica, no entanto, atinge o governo do próprio pai. Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, em 2019, com a Selic em 6,5% ao ano e deixou o cargo, em dezembro de 2022, com a taxa em 13,75%.
Mesmo assim, Flávio afirmou que um novo governo bolsonarista poderia reduzir os juros pela via do ajuste fiscal.
“Vamos perseguir incansavelmente desburocratizar esse governo, com previsibilidade e enxugar despesas drasticamente para que possamos ter taxas de juros ‘bolsonarianas’”, disse.
No evento, o senador afirmou que seu eventual governo teria um economista no Ministério da Economia. Também citou Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro (PL), cotada para ser sua “ministra da Economia”, como uma das pessoas que o ajudam na formulação econômica.
“A melhor política econômica que podemos fazer é perseguir o equilíbrio fiscal a todo custo. Não será difícil cortar despesas. Vou ter o melhor time de ministros que vocês já viram em suas vidas”, afirmou.
O ponto central segue em aberto. Flávio promete cortar despesas e agradar o mercado, mas evita detalhar quais áreas seriam atingidas. Ao mesmo tempo, tenta não se associar diretamente a cortes em políticas sensíveis, como saúde, educação, salário mínimo e benefícios sociais.
No mesmo evento, o senador também voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal. Disse que ministros têm revogado decisões do Congresso por meio de “canetadas”.
“Supremo parece mais uma delegacia de polícia, não uma corte constitucional”, afirmou.
A participação na CNI mostrou a tentativa de Flávio de combinar discurso econômico liberal, defesa de austeridade e cálculo eleitoral. O senador quer se apresentar como confiável para o mercado, mas sem assumir de forma explícita o custo social das medidas defendidas por parte do empresariado.