O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a liderança do Índice Datrix de Presidenciáveis (IDP) em maio, encerrando o mês com 24,45 pontos, contra 21,78 do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrou a maior queda absoluta desde o início do monitoramento, há cerca de 18 meses.
O IDP é uma métrica de performance digital criada pela Datrix para medir a presença, a repercussão e a percepção pública de presidenciáveis no ambiente online. O levantamento considera o desempenho nas redes próprias, menções feitas por apoiadores, imprensa, influenciadores e lideranças políticas, a tonalidade dessas citações e o interesse de busca dos usuários. Não se trata de pesquisa de intenção de voto, mas de um termômetro da força digital de cada pré-candidatura.
A virada ocorreu após a publicação, em 13 de maio, de áudios pelo Intercept Brasil nos quais o senador pede recursos milionários ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, que seriam supostamente destinados ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O tombo digital acompanha também um desgaste nas pesquisas eleitorais. Levantamento Vox Brasil divulgado em 5 de junho mostrou Lula com 42,1% das intenções de voto no primeiro turno, avanço de 7,8 pontos em relação a maio. Flávio caiu 2,9 pontos e aparece com 33,6%. A vantagem do presidente chegou a 8,5 pontos.
Segundo a Datrix, a mudança no topo do ranking não refletiu uma ofensiva digital de Lula, mas o colapso da performance do principal nome da oposição. “Ninguém melhorou. O Lula ficou parado. O Lula teve um comportamento muito semelhante ao dos últimos meses. O Flávio e o Zema é que achataram”, afirmou João Paulo Castro, cofundador e CEO da Datrix.
Desde dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro ocupava o primeiro lugar do IDP sem interrupção. Em maio, esse ciclo se encerrou. Lula fechou o mês com 24,45 pontos, enquanto o senador recuou para 21,78, na maior queda absoluta registrada desde que o monitoramento foi iniciado.
No segundo turno, Lula também ampliou a vantagem contra Flávio. Em 14 de maio, o presidente tinha 40,2% contra 43,8% do senador. Em 20 de maio, após a repercussão dos áudios, o placar virou: Lula passou a 46,8%, contra 38,1% de Flávio. Na rodada mais recente, o presidente chegou a 47,8%, contra 41,3% do senador, vantagem de 6,5 pontos, fora da margem de erro.
A Vox Brasil também registrou melhora na avaliação do governo Lula. A aprovação chegou a 49,1%, em empate técnico com a desaprovação, de 49,3%. Em 14 de maio, a aprovação era de 45,1%, enquanto a desaprovação estava em 51,5%.
Segundo a Datrix, o episódio inverteu o chamado “mar aberto”, indicador que mede a percepção sobre o político fora de seus canais controlados. A pontuação de Flávio, que era positiva, passou a negativa ao longo do mês. O volume de menções ao senador quase dobrou, mas com tonalidade majoritariamente negativa. “O caso alterou o comportamento das redes sobre o Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, aquilo que ele herdou do legado digital do pai se reverteu. Houve uma quantidade muito grande de pessoas falando sobre ele, mas de forma negativa”, afirmou Castro.
Nos últimos dias de maio, a pontuação diária de Flávio voltou a subir, impulsionada por uma agenda nos Estados Unidos e por um encontro com Donald Trump. A recuperação, porém, foi insuficiente para compensar o estrago acumulado ao longo do mês. A pesquisa Vox Brasil aponta movimento semelhante: nem mesmo o encontro com Trump na Casa Branca conseguiu frear o avanço de Lula nem conter a queda de Flávio.
O desgaste de Flávio Bolsonaro não ficou contido em sua própria pontuação. Romeu Zema, que havia registrado avanço expressivo de 56% no IDP em abril, sofreu a maior queda percentual do mês de maio: recuo de 42%, passando de 21,13 para 12,19 pontos. Segundo a Datrix, o ex-governador mineiro foi penalizado por ter sido o primeiro nome do campo conservador a criticar publicamente o senador. “Quando ele atacou o rival, acabou recebendo muitos ataques da própria base bolsonarista”, explicou Castro.
Renan Santos, do MBL, também registrou retração no período. Embora tenha ampliado sua visibilidade ao comentar o caso, a qualidade do engajamento recuou, segundo a Datrix, indicando que o aumento de menções não se traduziu em fortalecimento de imagem.
O Índice Datrix de Presidenciáveis acompanha o desempenho digital de pré-candidatos à Presidência há cerca de 18 meses. O índice avalia quatro eixos: desempenho nas redes próprias, repercussão e menções feitas por apoiadores, imprensa, influenciadores e lideranças políticas, tonalidade das citações e interesse de busca dos usuários em plataformas digitais. A pontuação varia de -100 a 100, e qualquer resultado acima de 20 pontos é considerado um bom desempenho pela consultoria.
A pesquisa Vox Brasil ouviu 2.100 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 1º e 3 de junho. O nível de confiança é de 95%.
Com informações de Revista Fórum.