Pesquisa Quaest divulgada em junho indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, registrou queda em redutos considerados estratégicos para o bolsonarismo, como evangélicos, jovens, mulheres e regiões como Sudeste e Centro-Oeste/Norte. O movimento ocorre após a divulgação de seu envolvimento com Daniel Vorcaro, preso na operação Compliance Zero, ligada ao Banco Master.

Pesquisa aponta vantagem de Lula em simulação de segundo turno

Na simulação de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro, rompendo o empate técnico registrado desde março. A vantagem de seis pontos percentuais representa uma virada no cenário eleitoral, conforme a Quaest.

Os dados desagregados mostram erosão em múltiplas frentes da pré-candidatura. Entre os evangélicos, o apoio a Flávio caiu de 61% para 52% em apenas um mês, enquanto Lula subiu de 24% para 31%. Entre católicos, Flávio manteve 34%, indicando que a perda se concentra no eleitorado evangélico, base tradicional do bolsonarismo.

Erosão em bases estratégicas

Na região Sudeste, que concentra os colégios eleitorais de São Paulo e Minas Gerais, Flávio chegou a ter 12 pontos de vantagem sobre Lula, mas agora está em empate técnico com o presidente, que apresenta tendência de alta desde abril. No agregado Centro-Oeste/Norte, a vantagem de Flávio caiu de 14 pontos em maio para apenas 2 pontos em junho, uma oscilação de oito pontos para baixo.

Entre jovens de 16 a 34 anos, Lula ultrapassou Flávio, que antes liderava nessa faixa etária. O recorte é considerado sensível por envolver eleitorado com forte presença digital e capacidade de mobilização.

O apoio entre mulheres também recuou, embora os números específicos não tenham sido detalhados na pesquisa.

Caso Vorcaro impacta confiança

A exposição da relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero, é apontada como um dos fatores para a queda. O senador teria recebido R$ 61 milhões de Vorcaro, dono do Banco Master, sob o pretexto de financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.

Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram a classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas e o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, medidas divulgadas após visita de Flávio a Donald Trump. A associação, que poderia ser explorada como demonstração de prestígio internacional, gerou questionamentos sobre os resultados concretos da aproximação.

Clima de 'naufrágio' no PL

Nos bastidores do Partido Liberal, o ambiente mudou de tom. Interlocutores descrevem reservadamente a situação como “naufrágio” da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O principal motivo de pânico é a debandada do eleitorado evangélico, que corrói a principal fortaleza eleitoral da extrema direita antes do início oficial da campanha.

Líderes evangélicos afirmam que a rejeição a Flávio se consolidou após ele ter sido “pego na mentira” no escândalo do Banco Master. A percepção encontra respaldo nos números: a aprovação do governo Lula entre evangélicos subiu de 28% em abril para 35% em junho, enquanto a desaprovação recuou de 68% para 60%.