O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou irregularidades na relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, criticou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela escalada tarifária com os Estados Unidos e afirmou que a direita estará unida nas eleições de 2026. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (15), em evento promovido pela revista Veja, em São Paulo (SP).

Relação com Vorcaro e o filme Dark Horse

Flávio afirmou que seu contato com Vorcaro se restringiu ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não tem absolutamente nada de errado, é uma relação privada, um investimento”, disse. A declaração ocorre após a divulgação, pelo site The Intercept, de áudios e mensagens em que o senador aparece tratando diretamente com Vorcaro sobre a captação de recursos para o filme. O material gerou desgaste na pré-campanha de Flávio e passou a ser explorado por adversários como sinal de fragilidade política.

Viagem aos EUA, tarifas e críticas a Lula

Ao comentar sua viagem aos Estados Unidos, Flávio disse que buscou cooperação internacional no combate ao crime organizado. Ele reiterou o pedido ao presidente americano Donald Trump para classificar facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. “É natural que qualquer presidente que queira combater essas organizações narcoterroristas se alinhe com outros países”, afirmou. Flávio também afirmou que pediu ao governo americano que não aplicasse tarifas sobre produtos brasileiros e responsabilizou Lula pela tensão comercial. “Se as empresas brasileiras forem mais penalizadas, será muito danoso para o Brasil”, disse. A declaração ocorre após Flávio ter se reunido com Trump na semana em que foi anunciada a proposta de nova tarifa adicional sobre produtos brasileiros. Ele acusou Lula de usar o tema com fins eleitorais: “A única pessoa que quer tarifa no Brasil é o Lula, porque acha que vai ter benefício eleitoral”.

União da direita e apoios políticos

Questionado sobre apoios, Flávio afirmou que nomes da direita estarão alinhados contra Lula e classificou como “fundamental” o apoio do governador Tarcísio de Freitas, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira. “Todos eles estarão comigo”, disse. Ele declarou respeitar as candidaturas de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mas acredita que haverá convergência no segundo turno.

Críticas ao STF e defesa de privatizações

Sobre a relação com os demais Poderes, Flávio afirmou que pretende manter postura institucional, mas criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador atribuiu a Moraes a condução de conflitos que, segundo ele, têm afetado a imagem da Corte. “O presidente (Jair) Bolsonaro não foi vítima de ataque à instituição, foi vítima do Alexandre de Moraes. Ele continua trazendo o Supremo para dentro das brigas dele”, afirmou. Flávio disse que o Senado terá papel central nesse processo, ao lembrar que cabe à Casa avaliar ministros do STF. “O presidente indica, mas quem tira é o Senado. A partir do ano que vem, esse problema vai ser do Senado Federal”, declarou. Em relação à agenda de privatizações, Flávio defendeu que as decisões sejam caso a caso. Considera “inquestionável” a venda dos Correios, citando prejuízos recentes da estatal. Já sobre a Petrobras, disse ser contra a privatização integral, mas admitiu a possibilidade de modelos parciais de desestatização. “Sou contra a privatização da Petrobras como um todo, mas acho que há partes que podem ter parceria público-privada ou redução da participação da União”, afirmou.

Bolsa Família e transição para o mercado formal

Flávio também comentou políticas sociais e defendeu que beneficiários do Bolsa Família tenham mais segurança para ingressar no mercado formal de trabalho. “Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente e não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício”, afirmou. O senador disse ainda que há preconceito em relação aos beneficiários e defendeu mudanças para permitir a manutenção do auxílio por mais tempo em caso de transição. “Muita gente tem preconceito com quem está no Bolsa Família, como se não quisessem trabalhar. É um erro. O Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome”, declarou.