O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se envolveu em uma série de contradições ao tentar explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Inicialmente, no dia 13 de maio, Flávio ridicularizou um repórter que questionou por que ele havia procurado Vorcaro para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Horas depois, após reportagem do site Intercept Brasil, o senador admitiu que realmente pediu dinheiro ao banqueiro, mas alegou desconhecer que Vorcaro estava envolvido em fraudes.

Mentiras sobre o conhecimento das fraudes

A versão de Flávio caiu por terra com a publicação de uma reportagem da revista piauí em outubro de 2024, intitulada "Alta tensão", que já detalhava suspeitas graves sobre a atuação do banqueiro. Embora Flávio possa alegar que não leu a matéria, as conversas divulgadas pelo Intercept Brasil mostram que o senador manteve contato próximo com Vorcaro ao longo de 2025, quando o colapso do Master era público. Em 8 de setembro daquele ano, Flávio enviou um áudio chamando Vorcaro de “meu irmão”. Apenas cinco dias antes, em 3 de setembro, o Banco Central havia reprovado a compra do Master pelo BRB, constatando falta de solidez no banco. O risco de calote era amplamente conhecido, assim como os esforços de políticos do Centrão e da direita para forçar a transação. No áudio, o próprio Flávio reconheceu o “momento dificílimo” vivido pelo banqueiro.

Encontro com Vorcaro em prisão domiciliar

Em 16 de novembro de 2025, Flávio escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!” No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar fugir de jatinho para Malta. Em 18 de novembro, o Master foi liquidado pelo Banco Central. O senador, no entanto, omitiu um encontro pessoal com o banqueiro. Em 19 de novembro, o site Metrópoles revelou que Flávio visitou Vorcaro em sua casa em São Paulo após o banqueiro deixar a prisão preventiva e passar para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Pressionado, Flávio confirmou a visita e afirmou que seu objetivo era “botar um ponto final” nas conversas sobre o financiamento e dizer que, se soubesse da gravidade, teria buscado outro investidor. A declaração sugere que, em novembro de 2025, o senador seria o único político em Brasília desinformado sobre as ilegalidades do Master.

Envolvimento de dinheiro público

Flávio também mentiu ao afirmar que tratou apenas de dinheiro privado com Vorcaro. Na realidade, o banqueiro utilizava recursos públicos em suas fraudes. Uma das fontes era a Rioprevidência, presidida pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), que depositou 1 bilhão de reais de aposentados no Master. Flávio sabia da tentativa de compra do banco pelo BRB, negócio que, se concretizado, poderia gerar um rombo no banco estatal de Brasília. Além disso, o senador pediu a Vorcaro 134 milhões de reais para bancar o filme sobre seu pai, sem que haja evidências de que o dinheiro tenha sido destinado à produção.

Em menos de uma semana, a versão edulcorada de Flávio desmoronou: ele procurou um banqueiro que sabia estar envolvido em megafraudes, pediu uma fortuna, cobrou repetidamente o repasse e o visitou em casa. As revelações indicam que o fundo do poço para Flávio Bolsonaro parece sempre mais fundo.