O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, lançou na última sexta-feira (5) o primeiro jingle oficial de sua campanha, com o slogan “Vem com Fé”. A estratégia, segundo antecipado pela Gazeta do Povo, busca consolidar e ampliar o apoio do senador entre o eleitorado conservador e religioso, colocando a fé cristã como eixo central da comunicação política.

A peça audiovisual, com cerca de dois minutos, aposta no recall político e afetivo do eleitorado de direita. O vídeo reúne imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos deputados Eduardo e Carlos Bolsonaro, com o objetivo de transmitir uma imagem de união familiar em torno da candidatura.

De acordo com a coordenação de campanha, o objetivo central é mobilizar a base de apoiadores, com foco em valores tradicionais da direita, como fé e liberdade religiosa.

O lançamento ocorreu um dia após a participação de Flávio na Marcha para Jesus, em São Paulo. Nos últimos dias, o senador intensificou o uso de referências bíblicas e discursos sobre fé e “batalha espiritual”. “Vamos orar pelo nosso Brasil, essa guerra é espiritual. Maior resposta que podemos dar ao mal que vai ser expulso do governo do Brasil neste ano”, disse Flávio na quinta-feira (4).

Pesquisa Meio/Ideia divulgada no fim de maio mostra que Flávio mantém ampla vantagem entre evangélicos em um eventual segundo turno contra Lula. O senador aparece com 66,6% das intenções de voto nesse segmento, contra 22,9% do petista. O levantamento indica ainda que 74,1% dos evangélicos afirmam que Lula não merece um novo mandato. A aprovação positiva (ótimo e bom) do governo do PT nesse grupo soma apenas 23,3%, enquanto a avaliação negativa (ruim e péssimo) atinge 48,3%.

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 23 e 27 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02918/2026.

Para o teólogo Dione Caruzo, pesquisador da relação entre política e religião há mais de três décadas, o fortalecimento desse ecossistema discursivo segue uma cartilha consolidada na direita brasileira. Ele afirma que, em momentos de tensão ou desgaste político, a reafirmação de valores religiosos atua como um cimento ideológico. “Funciona como um mecanismo para preservar a unidade da base e evitar a dispersão de apoiadores”, analisa Caruzo.

O especialista avalia que a postura de Flávio não é artificial, mas sim a continuidade do alinhamento construído por seu pai. “Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, conclui o teólogo.

Com informações de Gazeta do Povo.