Na noite de 16 de maio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, fez uma série de acusações sem provas contra o Intercept Brasil durante um evento em Campinas (SP). O ataque ocorreu após o site publicar reportagens sobre a negociação de R$ 134 milhões entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a conduta de Flávio em nota. “Essa não é a primeira vez na semana que o senador tenta desqualificar o trabalho do site”, afirmou a entidade. No mesmo dia, o blogueiro Allan dos Santos, aliado dos Bolsonaros e foragido da Justiça, publicou a mesma mentira que já havia circulado em 2023.
Rede de desinformação
O Intercept identificou uma coordenação entre aliados do clã Bolsonaro para desacreditar o jornalismo do site. Na quinta-feira (14), o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor do filme, compartilhou no Instagram uma manchete falsa alegando que o Intercept teria recuado e reconhecido falta de evidências. O conteúdo foi produzido pela página diario360, cujo site está registrado em nome de Fagner Leandro de Lima, secretário parlamentar do deputado André Fernandes (PL-CE) e tesoureiro do partido no Ceará, com salário de mais de R$ 25 mil mensais.
Um dia depois, o próprio Flávio Bolsonaro desmentiu Frias e o diario360, afirmando que o valor do filme não era menor, mas sim 70 milhões de dólares — quase três vezes o montante divulgado inicialmente.
Outro post falso foi compartilhado por Frias, produzido pela página Hora Brasília, cujo site é registrado em nome da Target DF Journal Comunicação LTDA. A empresa, que pertence a Hugo Alves dos Santos — presente na prisão do comunicador bolsonarista Oswaldo Eustáquio em 2020 —, recebeu R$ 30 mil do vereador Derek Bonjardim e R$ 25 mil do candidato Juninho do Hot Dog, ambos do PL de Atibaia (SP), nas eleições de 2024.
O Intercept procurou Flávio Bolsonaro, Mario Frias, André Fernandes, Fagner Leandro de Lima e Hugo Alves dos Santos por e-mail e WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação.
Contexto das reportagens
As reportagens do Intercept, baseadas em contratos, áudios e mensagens, revelaram que Flávio Bolsonaro negociou os R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para o filme, e que Eduardo Bolsonaro tinha poder sobre a gestão do dinheiro. O site afirma que os ataques são uma tentativa de desviar a atenção das provas documentais apresentadas.
Com informações de Intercept Brasil.