O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentará nesta quinta-feira (18), em São Paulo, seu plano de governo para segurança pública, com foco no combate a facções criminosas como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC). O anúncio insere-se em uma estratégia para se contrapor ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se opôs à classificação dessas organizações como terroristas pelo governo dos Estados Unidos — medida ocorrida dias após Flávio visitar o presidente Donald Trump na Casa Branca.

De acordo com aliados do senador, o plano prevê medidas para equiparar, na legislação brasileira, facções criminosas a organizações terroristas. Em 2024, o Senado rejeitou proposta semelhante, sem que Flávio se opusesse ao resultado.

Contexto político e repercussões

A divulgação do plano ocorre em meio a noticiário negativo para o senador, com a revelação de que ele pediu e recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção do filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A expectativa de aliados é que a iniciativa ajude a deixar esse episódio em segundo plano na corrida eleitoral.

Nos próximos 20 dias, outro eixo do programa de governo deve ser divulgado. O tema e o local ainda não foram definidos, mas a ideia é apresentar gradualmente as principais propostas de campanha.

Participação de Derrite e polêmica no Legislativo

O plano de segurança contou com a colaboração do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), pré-candidato ao Senado. Derrite foi relator na Câmara dos Deputados do projeto de lei antifacção do governo Lula, episódio que estremeceu as relações do Palácio do Planalto com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, Derrite defendeu classificar facções como Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas, mas acabou derrotado após especialistas criticarem o texto e alertarem para o risco de punições internacionais a empresas instaladas no Brasil.

Campanha nas redes sociais

A campanha de Flávio divulgou um vídeo nas redes sociais para anunciar o plano. Produzido com inteligência artificial, o material mostra o senador como integrante das Forças Armadas pilotando um helicóptero ao lado do pai, Jair Bolsonaro. Na cena, ele atira com metralhadora e explode barcos com as inscrições “PCC” e “Comando Vermelho”. Ao fundo, um barco com a sigla “PT” foge. Na postagem, Flávio escreveu: “Na próxima quinta-feira eu vou dar uma péssima notícia para o CV, o PCC e o PT. Me aguardem”.