O longa-metragem 'Labirinto dos Garotos Perdidos', dirigido pelo paulistano Matheus Marchetti, combina elementos de horror, fantasia e comédia romântica queer. O filme, que começou a ser exibido na plataforma de streaming Filmicca, representa um ponto de virada na carreira do diretor, que alcança um público maior, embora ainda com orçamento modesto.
A trama acompanha Miguel, interpretado por Giuliano Garutti, um jovem que chega a São Paulo para prestar vestibular em uma universidade de música. Seu plano de estudar é deixado de lado quando ele começa a marcar encontros por aplicativo em busca do parceiro ideal. No entanto, nenhum dos rapazes que encontra corresponde às suas expectativas, e os encontros se tornam cada vez mais sinistros.
Entre os personagens, estão um rapaz que o ignora após um encontro no aquário, outro interpretado pelo próprio diretor, que leva a mãe para os encontros, e um que prefere usar legumes pontiagudos durante o sexo. Paralelamente, um assassino em série mata seus parceiros após a relação sexual, sugerindo uma ameaça à homossexualidade e uma possível crítica ao conservadorismo atual.
O filme evoca referências como 'Alice no País das Maravilhas', 'Parceiros da Noite' (de William Friedkin) e 'Depois de Horas' (de Martin Scorsese). As soluções visuais são apontadas como o ponto forte do diretor, com uso inventivo do espaço, reflexões, composições geométricas e trabalho com cores, incluindo um momento que remete a Brian De Palma, quando a câmera se torna subjetiva sem cortes.
Por outro lado, os diálogos são criticados como problemáticos, tanto na escrita quanto na encenação, um problema que, segundo a crítica, afeta boa parte do cinema paulistano. O modo como o filme retrata a fala de um jovem de classe média paulistana é descrito como artificial, com entonações que só se ouvem no cinema ou em novelas ambientadas na capital paulista. Um dos encontros, com um rapaz que gosta de pepino, sofre com esse artificialismo.
Apesar das críticas aos diálogos, 'Labirinto dos Garotos Perdidos' é considerado mais um exemplo de interesse no jovem cinema paulistano, indicando uma convergência de gêneros distintos, com mais acertos e problemas que a outra estreia recente, 'Love Kills'.
Com informações de Folha — Ilustrada.