O filme "Dolores", que encerra a Trilogia dos Afetos idealizada pelo cineasta Chico Teixeira (morto em 2019), chega aos cinemas com direção de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. A obra acompanha três mulheres de gerações distintas: Dolores (Carla Ribas), Deborah (Naruna Costa) e Duda (Ariane Aparecida), respectivamente avó, mãe e neta.
Dolores se vê como empreendedora e sonha em ter um bingo ou cassino, mas é uma jogadora compulsiva, o que irrita a filha Deborah. Esta, por sua vez, está focada em sua vida amorosa após ser abandonada pelo namorado que saiu da prisão, e trabalha desenhando e vendendo peças íntimas femininas. Já Duda, filha de Deborah, treina com armas sob orientação de um instrutor que parece mais um vigarista, prometendo levá-la para a Flórida — plano que soa como um golpe para levantar dinheiro.
O crítico aponta que Marcelo Gomes constrói tensões entre as protagonistas, mas não as resolve. As personagens pertencem à baixa classe média e compartilham a crença no empreendedorismo como caminho para a independência, embora nunca usem essa palavra. Ao longo do filme, o que as distancia são questões financeiras.
A trama, descrita como psicossocial, alterna entre evolução psicológica e social das personagens, o que a torna rígida e previsível. Segundo a crítica, isso gera uma sensação de monotonia, apesar da complexidade das relações. Diferente de obras anteriores de Gomes, como "Cinema, Aspirinas e Urubus" e "Joaquim", que usavam a simplicidade ou um corte final impactante para surpreender, "Dolores" não consegue essa transformação, e o caminho dos afetos parece sem grande justificativa.
Por outro lado, a direção de atores é elogiada, com destaque para as três protagonistas, que entregam atuações convincentes.
Com informações de Folha — Ilustrada.