Antonella Petro, filha de 17 anos do presidente colombiano Gustavo Petro, publicou um vídeo e uma mensagem nas redes sociais na sexta-feira (5) para negar que tivesse sido ignorada pelo capitão James Rodríguez durante a cerimônia oficial de entrega da bandeira nacional à seleção, realizada em Bogotá antes do embarque da delegação para os Estados Unidos.
A jovem afirmou que sua expressão, lida por internautas como tristeza, era pura emoção diante de um ídolo de infância, e encerrou o pronunciamento pedindo que os colombianos apoiem a equipe independentemente de posições políticas. O episódio havia gerado críticas nas redes sociais ao camisa 10 e rapidamente transbordou do campo esportivo para o debate político, num país onde a figura do presidente Petro é um divisor de águas.
Vestindo a camisa da seleção colombiana, Antonella Petro gravou um vídeo e publicou uma mensagem escrita para desfazer a narrativa que havia se espalhado nas redes. Em vez de ressentimento, ela descreveu o encontro com James Rodríguez como um dos momentos mais marcantes de sua vida. “O primeiro gol que comemorei em toda minha vida foi o de James na Copa de 2014. Uma das minhas melhores lembranças foi quando eu tinha seis anos e o conheci. Como posso ficar triste assistindo à seleção? Seria algo ilógico. Ontem foi um dia que guardarei, com alegria, para sempre no meu coração”, escreveu a jovem.
A filha do presidente foi além do desmentido e revelou a profundidade de sua ligação com o atleta. Segundo ela, é canhota como James e começou a jogar futebol por influência do ídolo, chegando a escrever cartas para ele quando criança. Ao explicar sua expressão durante a cerimônia, Antonella disse que o que parecia tristeza era, na verdade, o impacto emocional de estar diante de sua referência: “Quando você apertou minha mão, embora não parecesse por fora, por dentro eu colapsei um pouco.” A jovem ainda mostrou uma camisa autografada entregue pela delegação a ela e ao presidente como lembrança do encontro. O pronunciamento terminou com um apelo direto: “Digo a toda a Colômbia que devemos apoiar a nossa seleção. Em campo, somos um só país.”
A polêmica nasceu na quinta-feira (4), quando vídeos da cerimônia de entrega da bandeira nacional à delegação colombiana começaram a circular nas redes sociais. Nas imagens, Antonella aparece ao lado do pai durante a passagem dos jogadores. Segundo relatos da imprensa colombiana, ela teria pedido uma foto a James Rodríguez, mas o atleta seguiu cumprimentando outras pessoas presentes sem atender ao pedido. A cena foi suficiente para desencadear uma onda de críticas ao capitão da seleção. Mais de cinco mil pessoas responderam a uma publicação da Federação Colombiana de Futebol no X, a maioria reclamando da postura dos atletas.
O debate rapidamente ultrapassou o campo esportivo. Aliados do governo Petro saíram em defesa da jovem, argumentando que ela apenas demonstrava entusiasmo ao encontrar um dos maiores nomes da história recente da seleção. Do outro lado, críticos do governo leram o episódio como uma suposta desfeita política deliberada. O fato de outros jogadores também não terem parado para atender Antonella ficou em segundo plano na narrativa que se consolidou nas redes: James, como capitão e maior estrela da equipe, concentrou as críticas e virou o rosto da controvérsia.
Na mesma sexta-feira em que Antonella se pronunciou, a Federação Colombiana de Futebol (FCF) emitiu nota oficial sobre o episódio. A entidade tratou de enquadrar o evento dentro de sua dimensão institucional: classificou a entrega da bandeira como “um ato protocolar e institucional que faz parte das tradições e cerimônias oficiais que historicamente acompanham as delegações esportivas colombianas em competições internacionais”. A FCF reiterou que seu principal compromisso é zelar pelo bem-estar dos membros da seleção e de todas as pessoas que fazem parte de seu entorno.
A nota foi além do protocolo e tomou posição diante da repercussão nas redes. A federação repudiou “qualquer manifestação de agressão, assédio ou difamação contra os jogadores, suas famílias ou membros da delegação nacional” e enfatizou que a seleção representa a nação em sua diversidade, pedindo harmonia em torno do time. Caracterizar o evento como protocolar é uma escolha que merece ser lida pelo que é: uma tentativa de esvaziar politicamente a polêmica, devolvendo o episódio ao terreno do ritual esportivo e afastando a leitura de que houve qualquer gesto deliberado contra a família presidencial.
O episódio ocorre num momento de alta exposição para a seleção colombiana. A Colômbia integra o Grupo K da Copa do Mundo de 2026, com estreia marcada para 17 de junho contra o Uzbequistão, na Cidade do México. A delegação embarcou para os Estados Unidos logo após a cerimônia de entrega da bandeira, e observadores notaram o contraste entre a formalidade da solenidade oficial e o clima visivelmente mais descontraído registrado horas depois, no embarque da equipe. É nesse intervalo, entre o protocolo e a informalidade, que a polêmica se instalou.
A rapidez com que um gesto ambíguo de um atleta num evento oficial se transformou em debate político nacional diz algo sobre o estado da esfera pública colombiana. Num país onde Gustavo Petro polariza opiniões com intensidade, qualquer interação envolvendo sua família e figuras públicas tende a ser lida através de lentes políticas antes mesmo de qualquer apuração. Antonella Petro tentou, com seu pronunciamento, devolver o episódio ao plano pessoal e afetivo. James Rodríguez, por sua vez, não se manifestou publicamente sobre o ocorrido até o momento da publicação desta reportagem.
Com informações de Revista Fórum.