O meio-campista paraguaio Miguel Almirón foi suspenso por uma partida pela Fifa depois de cobrir a boca com a mão durante a derrota da seleção de futebol do Paraguai para a seleção da Turquia, na 6ª feira (20.jun.2026), pela fase de grupos da Copa do Mundo. A punição foi anunciada pela entidade nesta 3ª feira (23.jun.2026) e não cabe recurso.

A expulsão foi nos acréscimos do 1º tempo. O árbitro salvadorenho Iván Barton foi chamado pelo VAR (árbitro assistente de vídeo) depois que Almirón tampou a boca ao falar algo para Müldür. Depois da conferência no VAR, o árbitro deu um cartão vermelho para o paraguaio.

O jogador se tornou o 1º atleta punido pela chamada “Lei Vini Jr.”, norma criada pela Ifab (International Football Association Board), em abril deste ano, para combater gestos considerados discriminatórios ou provocativos durante partidas.

A regra determina punição a jogadores que utilizarem gestos ou falas para provocar adversários em situações consideradas ofensivas. A medida foi implementada depois de um episódio envolvendo o atacante Vinicius Junior, do Real Madrid, e o meio-campista Gianluca Prestianni, do Benfica, durante uma partida da Liga dos Campeões, em fevereiro.

Com a suspensão, Almirón não poderá atuar na última rodada do Grupo D, quando o Paraguai enfrenta a Austrália na próxima semana. A partida definirá se a seleção paraguaia avança às oitavas de final da competição.

“LEI VINI JR”

Além da regra sobre não cobrir a boca durante discussões, a “Lei Vini Jr” se tornou um nome guarda-chuva para uma série de iniciativas legislativas criadas para combater o racismo e a injúria racial em arenas e estádios esportivos. Enquanto um texto federal tramita, Estados como o Rio de Janeiro e a Bahia, além do Distrito Federal, já aprovaram e sancionaram suas próprias versões da Lei Vini Jr., aplicando as regras localmente.

No Brasil, a principal regra determina a paralisação imediata de uma partida no momento em que for constatada ou denunciada uma conduta racista. Caso o comportamento preconceituoso persista ou seja praticado por um grupo grande de pessoas, o jogo pode ser encerrado definitivamente. Além disso, as arenas ficam obrigadas a fazer campanhas educativas, exibindo mensagens antirracistas em telões, sistemas de som e cartazes informativos antes e durante as competições.

Fora do Brasil, o cenário enfrenta resistências políticas na Europa. O Parlamento de Portugal rejeitou, em junho deste ano, um projeto de lei semelhante que endurecia as penas contra o racismo no esporte.