
Rafael Lopes faz o preview do GP da Áustria de Fórmula 1 Em reunião da Assembleia Geral Extraordinária nesta quinta-feira em Macau, na China, a FIA (Federação Internacional do Automobilismo) definiu que seus mandatos presidenciais não terão mais limite de reeleição. A decisão da entidade que gere a F1 e outras categorias deve prolongar a gestão de Mohammed ben Sulayem, que assumiu em 2021 e foi reeleito em um pleito sem adversários em 2025. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp Mohammed ben Sulayem no GP de Mônaco da F1 em 2026 Jayce Illman/Getty Images Em maio, ben Sulayem havia apresentado ao órgão a remoção das regras que limitavam o mandato presidencial em até 12 anos divididos em três mandatos de quatro anos, cada. Até então, o presidente da FIA poderia concorrer à reeleição duas vezes. Esse formato foi estabelecido pelo ex-chefe da Ferrari, Jean Todt, que foi eleito em 2009 para substituir Max Moesley e permaneceu presidindo a FIA até 2021, após 12 anos, quando foi sucedido por Ben Sulayem. - Os Estatutos da FIA foram atualizados para estabelecer uma abordagem consistente em relação aos limites de mandato em todos os órgãos da FIA, em consonância com os Conselhos Mundiais e o Senado. As emendas propostas foram aprovadas por maioria qualificada nas Assembleias Gerais Extraordinárias. Os órgãos da FIA mantêm plena autoridade para eleger democraticamente os titulares de cargos que considerarem adequados - declarou um porta-voz da FIA ao portal "The Athletic", do jornal americano "The New York Times". Mohammed ben Sulayem e Max Verstappen conversam durante GP do Catar de F1 2025 Clive Rose - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Outras decisões Além deste tema, a Assembleia da FIA em Macau também reforçou os critérios de elegibilidade para a função presidencial da federação, sob tutela da recém-nomeada Comissão de Avaliação de Eligibilidade. Foi definido, ainda, que todas as comissões e comitês se reportam diretamente ao Conselho Mundial do Automobilismo (WMSC); e estabelecido que a Comissão Disciplinar Antidoping da FIA passa a contar com 12 membros. Quem é Ben Sulayem? Ex-piloto dos Emirados Árabes Unidos, Ben Sulayem foi eleito pela primeira vez em 2021. Ele venceu a reeleição para a presidência da FIA em dezembro de 2025, sendo o único na disputa em circunstâncias polêmicas. Stefano Domenicali, presidente da F1, e Mohammed ben Sulayem, presidente da FIA, no GP de Abu Dhabi da F1 2025 Mark Sutton - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Isso ocorreu porque o regulamento aponta que cada candidato precisa reunir uma equipe de sete vice-presidentes das seis regiões globais da federação. Na América do Sul, por exemplo, a única vice-presidente elegível era a brasileira Fabiana Ecclestone; porém, como ela já integrava a equipe de Mohammed ben Sulayem, os outros candidatos não conseguiram completar suas equipes. Estavam, na disputa pelo pleito,o pai do piloto de F1 Carlos Sainz Jr, o bicampeão de rali Carlos Sainz Sr; a piloto Laura Villars; e o ex-comissário da F1, Tim Mayer. - Limites de mandato não são um detalhe burocrático. São uma salvaguarda fundamental da boa governança, reconhecidas como essenciais para prevenir a concentração de poder, garantir a renovação da liderança e manter a responsabilidade perante aqueles a quem uma organização se destina - criticou Mayer. Mohammed ben Sulayem, presidente da FIA, no GP do Azerbaijão da F1 em 2024 Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images Mohammed Ben Sulayem é ex-piloto de ralí, 14 vezes campeão da modalidade no Oriente Médio. Antes da gerência da FIA, ele foi membro do Conselho Mundial do Esporte a Motor, de 2008 a 2013. Sua atual gestão, porém, tem sido marcada por uma série de conflitos. Um dos ponto de desacordo foi a proibição do uso de jóias pelos pilotos da F1 e a maior rigidez nas roupas íntimas utilizadas por eles - medida alvo de protestos de atletas como Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Ben Sulayem também foi investigado e posteriormente inocentado por interferir nos GPs da Arábia Saudita e Las Vegas, em 2023. O emiradense ainda entrou em rota de colisão com os pilotos da F1 e de outras categorias por proibir o uso de palavrões nos rádios e entrevistas, embora tenha relaxado as restrições após punições a Max Verstappen e Adrien Fourmaux, do Mundial de Ralí (WRC). Outro caso de grande repercussão foi a proibição de protestos dos pilotos. A medida foi imposta com intuito, nas palavras de Ben Sulayem, de evitar a promoção de agendas pessoais dos atletas - que não pouparam críticas à regra. Na temporada anterior, Sulayem chegou a criticar abertamente Sebastian Vettel, Hamilton e Lando Norris por manifestações sociais. Sebastian Vettel criticou regra da F1 que proíbe pilotos de usarem acessórios, joias e piercing Reprodução/Twitter Há quase dois anos, a gestão do ex-piloto foi criticada pelo vice-presidente esportivo da FIA, Robert Reid, que renunciou do cargo apontando falta de transparência e de integridade. Meses depois, foi aprovada a ampliação dos poderes de Ben Sulayem para conduzir investigações dos comitês de ética e finanças nas categorias. Infos e horários GP da Áustria de F1 2026 Infoesporte