O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou no dia 6 de maio uma nova operação da Polícia Federal sobre o caso Master. Ao analisar a relação entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro escreveu que havia entre os dois um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”.
A revista piauí teve acesso ao relatório da PF, com mais de sessenta páginas, onde constam datas, cenas, viagens e fotos. O documento revela um universo de mesadas, empresas subavaliadas, dinheiro vivo, apartamentos, cartões de crédito, restaurantes, hotéis, jatinhos, emenda parlamentar e férias na neve oferecidas a Ciro Nogueira por Vorcaro.
Férias nos Alpes Franceses
O episódio mais vistoso dessa relação aconteceu nos Alpes Franceses. Em janeiro de 2025, Ciro Nogueira e Flávia Rosalen passaram treze dias em Courchevel, uma das estações de esqui mais luxuosas do mundo, com as despesas bancadas pelo dono do Banco Master. Vorcaro também participou da viagem, ao lado de Martha Graeff, sua noiva na época.
O custo total da viagem foi de 1.849.201 reais, segundo apurou a PF. O senador e a companheira ficaram hospedados em hotel de alto padrão e frequentaram restaurantes com estrela Michelin. No La Soucoupe, conhecido por suas carnes, a despesa do casal chegou a 63 mil reais. No Le Tremplin, especializado em frutos do mar, a conta passou de 58 mil reais. Segundo a PF, tudo saiu por conta de Vorcaro, que se referiu ao senador como “um dos meus grandes amigos de vida”.
A imagem que sintetiza a relação entre o senador e o banqueiro é a de 21 de janeiro. Nesse dia, com trajes próprios para a neve, óculos escuros e sorriso largo, os dois posaram para uma foto abraçados, com as montanhas nevadas de Courchevel ao fundo. Graeff postou uma foto com Vorcaro feita no mesmo local.
Cartão de crédito e mesada
A decisão do STF que autorizou busca e apreensão na residência de Ciro Nogueira registra uma conversa entre o banqueiro e Leo Serrano Giunchetti, operador de logística de Vorcaro nos Estados Unidos. Serrano pergunta se os “meninos” deveriam continuar pagando contas dos restaurantes de “Ciro/Flavia até sábado”. Vorcaro confirmou: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths.” Essa troca de mensagens, datada de 23 de janeiro, ocorreu quando Ciro e Flávia estavam em Courchevel, onde ficariam até sábado.
As mensagens obtidas pela PF revelam que o banqueiro pagava uma polpuda mesada a Ciro. Em três mensagens de 2024 (nos dias 21 e 24 de junho e 25 de julho), o primo Felipe Vorcaro pergunta ao banqueiro se deveria continuar pagando “300k” ao “pessoal que investiu” na BRGD – empresa da família do senador. Vorcaro respondeu que sim.
Capítulo imobiliário e emenda parlamentar
A piauí apurou que, em mensagem do dia 2 de novembro de 2025, enviada a Vorcaro, Ciro diz que precisaria ficar mais uns três ou quatro meses no apartamento do banqueiro, até que a ex-namorada desocupasse o seu imóvel.
Em defesa de sua inocência, Ciro compara a presença em um jantar com o uso eventual de um helicóptero, coloca tudo na embalagem política, sem implicações éticas. Nem achou necessário explicar por que apresentou ao Congresso uma emenda aumentando de 250 mil para 1 milhão de reais o limite de cobertura para investidores em caso de quebra da instituição financeira. A proposta atendia de modo tão flagrante os interesses de Vorcaro que ganhou o jocoso apelido de “emenda Master”.
Com informações de Revista Piauí.