O FBI frustrou um plano que tinha como alvo o evento do UFC realizado no último domingo (14/06) na Casa Branca, resultando na prisão de cinco homens em quatro estados diferentes. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) informou que os suspeitos foram acusados de conspiração para cometer homicídio. De acordo com os promotores, parte do plano envolvia o uso de drones carregados com explosivos para atacar prédios próximos e disparar contra 'alvos de alto valor'.
Detalhes do plano e prisões
Os suspeitos identificados são: Tycen C. Proper, de 19 anos (Ohio); Bryan Omar Roa, de 24 anos (Califórnia); Michael Alan Thomas, de 32 anos (Califórnia); Daniel K. Eskridge, de 32 anos (Missouri); e Abraham Hermosillo Alvarez, de 31 anos (Nebraska). Proper foi preso na semana passada em Ohio, após sua mãe procurar as autoridades locais em 10 de junho, preocupada com compras de armas de grande porte e comunicações online com um grupo que se apresentava como ex-militares e cristãos.

Documentos judiciais indicam que o grupo manifestou 'sentimentos ultrarreligiosos e antigovernamentais'. Eles pretendiam 'dar início' a uma revolução, atacando políticos e pessoas ricas presentes no evento. O diretor do FBI, Kash Patel, escreveu nas redes sociais que as ações planejadas foram 'completamente neutralizadas'.
Estrutura do ataque
Segundo os documentos, o grupo planejava usar drones para provocar pânico e direcionar a multidão em fuga para áreas onde atiradores de elite estariam posicionados. Em seguida, uma 'segunda onda' de agressores avançaria contra os portões da Casa Branca. O evento contou com cerca de 4.300 convidados no gramado sul e 85 mil pessoas nas proximidades.

Documentos relacionados a Alvarez indicam que possíveis alvos incluíam o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, o empresário Elon Musk e diversos políticos eleitos, embora nem todos estivessem presentes. Eskridge teria descrito um dos alvos como alguém 'importante e conhecido pela maioria do país'.
Investigação e comunicação
A investigação começou após a mãe de Proper contatar as autoridades. Durante interrogatório do FBI em 11 de junho, Proper admitiu participação e disse que os membros começaram a se comunicar em março por meio de um grupo no TikTok chamado 'Vanguard of the Old', também referido como 'Vanguard of the Old Republic'. A maioria dos integrantes foi recrutada pelo TikTok, e os aprovados passavam a usar o Signal, aplicativo de mensagens criptografadas. Havia um grupo principal com cerca de 19 participantes e outros menores, organizados por função ou localização geográfica.

Thomas teria idealizado uma operação estruturada em quatro níveis, desde um grupo de elite disposto a 'sacrificar-se pelo país' até um quarto nível de financiadores e apoiadores. Os suspeitos também compartilharam mapas de Washington com posições planejadas para atiradores, pontos de lançamento de drones e redes elétricas como possíveis alvos.
Reações e contexto
Em coletiva na terça-feira (16/06), o vice-diretor do Serviço Secreto, Matt Quinn, classificou o episódio como uma 'ameaça séria', mas evitou dar detalhes. Ele demonstrou irritação com a divulgação pública da operação. O presidente Trump, questionado durante a cúpula do G7 na França, disse: 'Não ouvi falar sobre isso'.
Se condenados por conspiração para cometer homicídio, os suspeitos podem receber prisão perpétua e multa de US$ 250 mil. Proper também responde a outras três acusações, incluindo conspiração para atos violentos na Casa Branca, cuja pena máxima é de cinco anos. Audiência preliminar marcada para 29 de junho.
Violência política em alta
O evento fez parte das comemorações dos 250 anos da independência dos EUA e coincidiu com o aniversário de 80 anos de Trump. Ocorreu dois meses após um tiroteio no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e um mês após um homem ser morto pelo Serviço Secreto ao atirar em um posto de controle. Dados do National Consortium for the Study of Terrorism and Responses to Terrorism (START) indicam que a violência direcionada a alvos específicos cresceu mais de 30% entre 2024 e 2025 nos EUA.
A professora de Ciência Política da Universidade Estadual de Michigan, Erica Frantz, afirmou à BBC que a violência política costuma ser cíclica e que forças sociais estão empurrando pessoas para posições cada vez mais radicais. 'Preocupo-me menos com a motivação específica e mais com as forças sociais que estão empurrando as pessoas para posições cada vez mais radicais', disse.