O FBI impediu um plano que tinha como alvo a Casa Branca durante o evento do UFC realizado no último domingo (14/06), resultando na prisão de cinco homens em quatro estados, conforme anunciou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos na terça-feira (16/06). Os suspeitos foram acusados de conspiração para cometer homicídio, podendo pegar prisão perpétua.
Detalhes do plano
Segundo os promotores, o grupo pretendia utilizar drones carregados de explosivos para atacar prédios próximos e criar pânico, direcionando a multidão em fuga para áreas onde atiradores de elite estariam posicionados. Uma segunda onda de agressores deveria avançar contra os portões da Casa Branca. O evento contou com cerca de 4.300 convidados no gramado sul e outras 85 mil pessoas nas proximidades.

Documentos judiciais indicam que os alvos considerados incluíam o presidente dos EUA, Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o empresário Elon Musk e diversos políticos eleitos, embora nem todos estivessem presentes.
Os suspeitos
Os presos foram identificados como Tycen C. Proper, de 19 anos, em Ohio; Bryan Omar Roa, de 24 anos, e Michael Alan Thomas, de 32 anos, ambos da Califórnia; Daniel K. Eskridge, de 32 anos, do Missouri; e Abraham Hermosillo Alvarez, de 31 anos, de Nebraska. Todos enfrentam acusações de conspiração para cometer homicídio. Proper também responde por conspiração para atos violentos na Casa Branca, com pena máxima de cinco anos. Sua audiência preliminar foi marcada para 29 de junho.

Investigação e reações
A investigação começou após a mãe de Proper procurar as autoridades locais em 10 de junho, preocupada com as compras de armas e comunicações online do filho com um grupo que se apresentava como ex-militares e pessoas de orientação cristã. Em interrogatório no FBI em 11 de junho, Proper admitiu participação no planejamento, afirmando que os membros começaram a se comunicar em março por meio de um grupo no TikTok chamado "Vanguard of the Old" (ou "Vanguard of the Old Republic"), migrando depois para o Signal, aplicativo de mensagens criptografadas. Havia um grupo principal com cerca de 19 participantes e subgrupos por função ou localização.
O grupo discutia queixas sobre corrupção governamental, o tratamento dos arquivos de Jeffrey Epstein, consumo de água por centros de dados e outras ações do governo. Documentos do FBI afirmam que integrantes acreditavam que "os Estados Unidos precisavam ser destruídos para que pudessem ser reconstruídos". Thomas teria idealizado uma operação em quatro níveis, desde um grupo de elite disposto a "sacrificar-se pelo país" até apoiadores financeiros.

O diretor do FBI, Kash Patel, declarou nas redes sociais que "as supostas ações planejadas foram completamente neutralizadas". Já o vice-diretor do Serviço Secreto, Matt Quinn, classificou o episódio como uma "ameaça séria", mas mostrou irritação com a divulgação pública: "Para preservar a integridade da investigação, escolhemos não divulgar informações antes da hora". O presidente Trump, questionado sobre o caso durante a cúpula do G7 na França, disse: "Não ouvi falar sobre isso".
Contexto de violência política
O evento ocorreu em meio a um aumento da violência política nos Estados Unidos. Dados do National Consortium for the Study of Terrorism and Responses to Terrorism (START) indicam que a violência direcionada a alvos específicos cresceu mais de 30% entre 2024 e 2025. A professora de Ciência Política da Universidade Estadual de Michigan, Erica Frantz, afirmou à BBC que "sempre haverá pessoas insatisfeitas que defendem teorias conspiratórias e visões extremistas", destacando que se preocupa "mais com as forças sociais que estão empurrando as pessoas para posições cada vez mais radicais".