Há 20 anos, as famílias das vítimas dos Crimes de Maio de 2006 aguardam por justiça. Entre elas está a família de Rogério do Carmo Pereira, de 27 anos, morador da favela dos Pilões, na zona sul de São Paulo.

Em 18 de maio de 2006, seis dias após o início dos ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e da reação de grupos de extermínio e policiais que deixou centenas de civis mortos, Rogério saiu de casa durante uma ocupação policial no bairro. Ele foi morto por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). A versão oficial afirma que Rogério teria resistido à abordagem, mas a família nunca acreditou nessa versão.

O quarto episódio do podcast Crimes de Maio: o massacre que o Brasil ignora, intitulado “Os crimes de todos os meses”, acompanha a luta das famílias das vítimas ao longo dessas duas décadas por memória, responsabilização e reparação.

Atualmente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa se o Estado de São Paulo pode ser responsabilizado pela morte de Rogério. O Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que o caso prescreveu. As famílias, por sua vez, argumentam que os Crimes de Maio devem ser reconhecidos dentro de uma lógica de justiça de transição, conceito que prevê o reconhecimento e a reparação de violações cometidas pelo Estado para garantir memória, reparação e não repetição.

O episódio também mostra como a lógica de violência que marcou maio de 2006 segue presente na segurança pública brasileira até hoje.

O podcast Crimes de Maio: o massacre que o Brasil ignora é produzido pela Ponte Jornalismo em parceria com o Brasil de Fato, com apoio do Instituto Procomum e da Open Society Foundations.

Com informações de Ponte Jornalismo.