Uma em cada três crianças de 2 e 3 anos que não frequentavam creche em 2025 estava fora da escola por falta de vaga. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (19).

No Brasil, a frequência em creche não é obrigatória. O Plano Nacional de Educação (PNE), vigente até 2024, estabelecia a meta de matricular ao menos metade das crianças de 0 a 3 anos na educação infantil. Segundo os dados, em 2025, 41,7% das crianças nessa faixa etária estavam matriculadas em creche.

Avanço consecutivo, mas insuficiente

Apesar de o país ainda estar distante da meta, a pesquisa revela avanços consecutivos na última década. Em 2016, apenas 30,3% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam a escola. O crescimento foi gradual, mas insuficiente para atingir os 50% previstos.

Entre as crianças com menos de dois anos, 17,6% estavam em creche no ano passado. Dos mais de 4,6 milhões de bebês nessa idade, cerca de 800 mil estavam matriculados. Dos 3,8 milhões fora da creche, 64,1% não frequentavam por opção dos pais e 28,1% por falta de vaga na região ou recusa da escola em aceitar a matrícula.

Falta de vagas concentrada nas crianças maiores

Já entre as crianças de 2 e 3 anos, a cobertura é maior: 62,9% estavam matriculadas em 2025, ante 49,1% em 2016. Das mais de 5,2 milhões de crianças dessa idade, 1,9 milhão não frequentava a creche. Desse total, 33,4% não estavam matriculadas por falta de vaga, enquanto 57,1% ficaram em casa por opção dos pais.

“Os dados nos mostram duas situações: os pais de crianças mais novas em geral preferem ficar com os filhos em casa. Isso é uma opção. Mas temos um contingente expressivo de famílias que precisam da creche, mas não encontram vaga. Há uma carência grande no país a ser resolvida nos próximos anos”, afirma William Kratochwill, pesquisador do IBGE.

Disparidades regionais

Nenhuma das cinco regiões do país atingiu a meta de 50% de matrículas. As taxas médias de escolarização infantil para crianças de 0 a 3 anos foram:

  • Norte: 23,9%
  • Nordeste: 38,8%
  • Centro-Oeste: 35,6%
  • Sudeste: 47,8%
  • Sul: 47,9%

As regiões Sul e Sudeste chegaram perto da meta, mas ainda abaixo do esperado.

Pré-escola próxima da universalização

Na pré-escola, etapa obrigatória para crianças de 4 e 5 anos, a taxa nacional de escolarização foi de 94,9% em 2025. O índice é considerado elevado, mas ainda não atingiu a universalização plena (acima de 95% a 97%), meta que o PNE previa para 2016.

Nova meta para 2034

Em 2025, foi aprovada uma lei que institui um novo PNE, com metas até 2034. Apesar de o país não ter cumprido o objetivo anterior de 50%, o novo plano estabeleceu uma meta ainda mais ousada: garantir atendimento a 60% da população de 0 a 3 anos.