Passageiros com deficiência ou dificuldade de locomoção enfrentaram problemas para desembarcar de aviões que pousaram neste sábado (6) no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, por falta de ambulift, uma plataforma usada para embarque e desembarque dessas pessoas. O aeroporto é administrado pela concessionária espanhola Aena desde outubro de 2023 e é o segundo mais movimentado do país.

Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), 1,9 milhão de pessoas passaram por Congonhas em abril. Em média, mais de 500 aviões decolam ou pousam no local por dia. Procurada por telefone, e-mail e WhatsApp, a Aena não respondeu até a publicação desta reportagem.

O repórter Jairo Marques, da Folha, que é cadeirante, relatou que esperou uma hora e 10 minutos para desembarcar de um voo da Azul que partiu de Belo Horizonte. O avião pousou às 15h30, mas ele só desceu pouco antes das 17h. A tripulação, incluindo a comandante, manteve o repórter informado sobre o problema.

Segundo Marques, foi feito no aeroporto um revezamento do ambulift, que passou por vários aviões. Ele acabou retirado do avião em um ambulift da Gol, o único disponível. O mesmo ocorreu com passageiros de outras aeronaves. Funcionários de Congonhas disseram que os equipamentos do aeroporto estavam quebrados.

Marques afirmou que, quando viajou para Belo Horizonte na quinta-feira (4), teve dificuldades para entrar em um ambulift do aeroporto, pois a porta estava emperrada. Neste sábado, foi oferecida uma cadeirinha escaladora para que ele descesse a escada, mas ele não aceitou por causa do risco e do incômodo.

Duas idosas também relataram à Folha que ficaram mais de duas horas dentro de uma aeronave à espera do equipamento. No caso delas, o ambulift da Latam teve problemas. O equipamento da Gol que retirou o repórter do avião da Azul foi então usado na aeronave da Latam, que estava ao lado.

Em nota, a Latam afirmou ter adotado medidas para garantir o embarque dos passageiros e minimizar os impactos da operação, em razão da indisponibilidade momentânea de ambulift. "Todos os passageiros receberam a assistência necessária e seguiram viagem em segurança", diz trecho da nota. Questionada por e-mail, a Azul não respondeu até a publicação.

O ambulift é usado quando os aviões não param junto às pontes de embarque (fingers), e sim na área de embarque remoto, de onde os passageiros chegam e saem em ônibus. No domingo anterior (31), uma mulher de 72 anos morreu ao cair de uma escada durante o desembarque de um avião da Latam em Congonhas.

Congonhas tem 12 fingers. A Aena está construindo um novo terminal, previsto para 2028, e o número dessas estruturas deverá subir para 19.

Com informações de Folha — Cotidiano.