Pequenas falhas de memória, como perder o fio da meada em uma conversa ou esquecer o nome de um ator conhecido, ocorrem com frequência. Em um contexto de rotina acelerada e excesso de estímulos, esses lapsos parecem cada vez mais comuns. A preocupação aumenta quando os "brancos" passam a interferir no trabalho, nos relacionamentos ou nos cuidados com a saúde.
Segundo o neurologista norte-americano Richard Restak, autor do livro "The Complete Guide to Memory: The Science of Strengthening Your Mind", grande parte dos lapsos atuais são, na verdade, problemas de atenção. Para que uma informação seja gravada de forma efetiva, é necessário estar presente no momento. No entanto, a sociedade marcada pela lógica produtivista e pela otimização do tempo dificulta a concentração em uma única tarefa.
O estresse constante também compromete a memória devido à presença excessiva do hormônio cortisol. "Se você estiver sempre com o cortisol alto, vai chegar uma hora em que seu cérebro vai saturar", explicou Altay de Souza, psicólogo e pesquisador da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), no podcast NaruHodo. "Em algumas áreas do conhecimento, isso é chamado de síndrome do burnout, quando a pessoa não consegue reter mais nada."
A pandemia de Covid-19 deixou memórias cotidianas nebulosas para muitas pessoas. Especialistas atribuem esse fenômeno a fatores como angústia, incerteza, má qualidade do sono, sobrecarga de informações e rotina monótona do confinamento. Um estudo liderado por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Unirio mostrou que a proteína spike do coronavírus provoca reações destrutivas no hipocampo. Entre pessoas com Covid longa, 78% relataram comprometimento cognitivo.
Para melhorar a memória, especialistas recomendam evitar multitarefas e desacelerar, criando condições para prestar atenção ao que se faz. Técnicas como mindfulness e meditação podem ajudar. Também é aconselhável não "terceirizar" toda a informação: memorizar um caminho sem GPS ou preparar uma receita sem consultar o aplicativo são exemplos de exercícios mentais.
Jogos como xadrez, bridge, stop e jogo da memória estimulam o sistema de armazenamento do cérebro. Ler ficção também é um hábito poderoso, pois exige que o cérebro conecte informações o tempo inteiro. Atividades físicas aeróbicas — como correr, nadar ou andar de bicicleta — contribuem para a neurogênese no hipocampo, favorecendo a retenção do que importa. Manter alimentação equilibrada, dormir bem, respeitar momentos de descanso, aprender coisas novas e fazer anotações à mão são outras estratégias que ajudam o cérebro a funcionar melhor no longo prazo.
Com informações de Folha — Equilíbrio e Saúde.