A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) manifestou repúdio, neste sábado (6), à decisão da União Europeia (UE) de vetar a importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal do Brasil. Em nota assinada pelo presidente Tirso Meirelles, a entidade cobrou “um pulso mais firme” da diplomacia brasileira.
Segundo a FAESP, a UE estaria “mudando as regras do jogo” de forma casuística após 25 anos de negociações entre o bloco europeu e o Mercosul. A federação classificou a medida como uma “salvaguarda descabida e arbitrária”, sem respaldo técnico ou científico.
A entidade apontou que a restrição é discriminatória, pois outros países, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam os mesmos métodos de produção e não sofreram vetos. “O pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos”, afirmou a nota.
Em relação à sanidade animal, a FAESP declarou que o rebanho brasileiro é “referência global” e não há mácula a ser apontada.
Pulso mais firme
A federação pediu que o governo federal brasileiro adote uma postura mais enérgica na diplomacia comercial. “Cobramos um pulso mais firme em sua diplomacia comercial. O Brasil, consolidado historicamente como um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo, não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas”, escreveu Tirso Meirelles.
A FAESP também convocou Argentina e Uruguai a se unirem ao Brasil para formar um posicionamento regional unificado no Mercosul. “Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, completou.
A nota finalizou destacando a experiência agropecuária brasileira e a necessidade de “impor o respeito e a soberania” conquistados no cenário internacional.
O que aconteceu
A União Europeia oficializou na sexta-feira (5) a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. A medida, formalizada pelo Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, passa a valer em 3 de setembro. Ficam vetadas carnes bovinas, de aves e de equídeos, além de mel, tripas e produtos de aquicultura.
A decisão decorre de um alerta emitido em 12 de maio, quando a UE divulgou uma lista preliminar de países que cumpriam normas contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária. O Brasil ficou de fora, enquanto Argentina, Colômbia e México foram validados. Na ocasião, havia expectativa de que o Brasil apresentasse garantias a tempo, o que não ocorreu. O veto baseou-se no descumprimento de exigências sanitárias relacionadas ao controle de antibióticos.
Com informações de Jovem Pan.