Um estudo conduzido pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e divulgado no Journal of the National Comprehensive Cancer Network, indica que a prática de atividade física pode reduzir os danos cognitivos provocados pela quimioterapia. O fenômeno, conhecido como chemobrain ou "cérebro de químio", engloba alterações na memória, atenção, concentração e velocidade de raciocínio decorrentes do tratamento oncológico.

De acordo com os pesquisadores, cerca de 75% dos pacientes submetidos à quimioterapia experimentam sintomas que formam um "nevoeiro cerebral". Entre as manifestações estão raciocínio mais lento, esquecimento de fatos recentes e dificuldade para realizar tarefas simultâneas, impactando a vida cotidiana, o trabalho e as interações sociais. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas, já que não existem exames de imagem ou laboratoriais que confirmem a condição.

As causas do chemobrain ainda não são totalmente compreendidas. Segundo o oncologista Sergio Simon, do Hospital Israelita Albert Einstein, a principal hipótese é um estado inflamatório leve e crônico em áreas específicas do cérebro, desencadeado pela quimioterapia. O especialista explica que o organismo produz proteínas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias, e o equilíbrio entre elas determina processos metabólicos inflamatórios — como no chemobrain — ou anti-inflamatórios, como os observados após a prática de exercícios.

Embora já houvesse indícios dos benefícios de uma vida ativa para esses pacientes, o novo estudo comparou 687 voluntários em tratamento quimioterápico, divididos em dois grupos. Metade seguiu a terapia padrão a cada duas semanas, enquanto a outra metade realizou exercícios conforme uma prescrição específica, que incluía caminhada e movimentos simples de resistência com banda elástica, possíveis de serem feitos em casa.

Todos os participantes passaram por testes de rapidez de raciocínio e fadiga mental antes e ao final do experimento, além de exames de sangue para avaliar a presença de substâncias pró e anti-inflamatórias. Após seis semanas, o grupo que praticou atividade física relatou menor declínio cognitivo e menos fadiga mental. Esses pacientes caminharam, em média, 5.000 passos por dia, enquanto o grupo sedentário reduziu a marcha pela metade.

Atualmente, não há um tratamento bem estabelecido para o chemobrain. O oncologista Sergio Simon menciona que a literatura relata abordagens como meditação, uso de medicamentos e jogos eletrônicos de raciocínio, mas todas carecem de comprovação científica convincente. Por isso, intervenções acessíveis e de baixo custo ganham relevância para aliviar os sintomas.

No entanto, estimular esses pacientes a se exercitarem é um desafio, pois eles frequentemente sentem cansaço e fraqueza devido à doença e ao tratamento. Simon orienta que a maioria dos oncologistas já recomenda exercícios durante o tratamento como medida de manutenção do bem-estar e da qualidade de vida. Envolver os familiares no processo aumenta a adesão ao programa e, quando possível, o acompanhamento de um preparador físico profissional pode potencializar os resultados.

Com informações de Poder360.