O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, movimentou R$ 35,36 trilhões em 2024, alta de 33,6% sobre o ano anterior, com cerca de 80 bilhões de transações realizadas por aproximadamente 180 milhões de usuários. Os números levaram o executivo Rafael Nakamoto, com mais de 20 anos de atuação em private equity, a simular o valor de mercado de uma hipotética “Pix S.A.”.
Segundo Nakamoto, a empresa valeria entre R$ 601 bilhões e R$ 1,8 trilhão. O cálculo parte de um “take rate” hipotético de 0,1% a 0,3% sobre o volume financeiro movimentado, gerando receita anual de R$ 35,4 bilhões a R$ 106 bilhões. Aplicando múltiplos de mercado para empresas de tecnologia financeira, chega-se ao valuation estimado.
Na faixa superior, a Pix S.A. superaria o valor de mercado de gigantes brasileiras como Petrobras (R$ 573 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 440 bilhões) e Vale (R$ 364 bilhões), além do Mercado Livre (cerca de R$ 425 bilhões). “Não existe hoje no Brasil outro ativo com potencial para atingir R$ 1 trilhão em valor de mercado como o Pix”, afirmou Nakamoto.
Fatores de valorização
O executivo aponta três pilares para o alto valuation: a escala (base de usuários que cobre praticamente toda a população economicamente ativa), a possibilidade de monetização de serviços complementares (seguros, crédito, investimentos) e a eficiência tecnológica, com liquidação em menos de um segundo e custos operacionais anuais de apenas R$ 50 milhões, ante investimento inicial de R$ 15 milhões.
Impactos e desafios
O Pix reduziu drasticamente o uso de TEDs e DOCs, pressionou receitas bancárias tradicionais e disputa espaço com cartões e boletos. Para o varejo, trouxe liquidação imediata e custos menores. “Os concorrentes não gostam do Pix justamente porque ele opera com custo muito baixo”, disse Nakamoto.
Entre os desafios, as fraudes seguem como preocupação, mas o executivo acredita que o sistema seguirá a trajetória das bandeiras de cartão, que desenvolveram mecanismos robustos de segurança. Além disso, novas tecnologias como stablecoins e sistemas inspirados no Pix começam a surgir em outros países, o que pode alterar a indústria global de pagamentos.
Nakamoto ressalta que o Pix não foi criado para gerar lucro, mas para aumentar a eficiência e a inclusão financeira. “Estamos deixando milhões de reais na mesa”, comentou, referindo-se ao potencial econômico não explorado do sistema.
Com informações de InfoMoney.