Os principais executivos de inteligência artificial participarão de um almoço na cúpula do G7 nesta quarta-feira (17), em Evian, na França. Entre os convidados estão Sam Altman (OpenAI), Dario Amodei (Anthropic), Demis Hassabis (Google DeepMind), Arthur Mensch (Mistral), Aidan Gomez (Cohere), Uljan Sharka (Domyn), Victor Riparbelli (Synthesia) e Robin Rombach (Black Forest Labs). Também foram mencionados Marc Benioff (Salesforce), Alex Wang (Meta), além dos fundadores das startups indiana Sarvam e japonesa Sakana.

O G7 reúne Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, com participação ativa da União Europeia. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também viajou para o evento.

Temas em discussão

De acordo com informações do governo francês divulgadas na semana passada, a agenda inclui riscos da inteligência artificial, infraestrutura, soberania tecnológica e proteção de crianças na internet. A OpenAI declarou à CNBC, no início de junho, que esperava que as empresas de tecnologia saíssem da cúpula com um conjunto de “compromissos voluntários”.

Esses compromissos devem envolver segurança para jovens, riscos de fronteira em segurança cibernética e biossegurança. A ideia é que se tornem um padrão global de fato, conforme afirmou Jessica Brandt, pesquisadora sênior de tecnologia e segurança nacional no Council on Foreign Relations (think tank americano focado em política externa).

Influência geopolítica em debate

Para Brandt, o encontro demonstra que “para assumir compromissos críveis sobre IA, os chefes de Estado agora precisam da cooperação, senão do aval, de um punhado de executivos do setor privado que estão de fato construindo a tecnologia. Estamos vendo uma mudança em quem tem assento à mesa e um sinal de onde o poder está”.

O pano de fundo do evento inclui tensões entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos. A empresa negocia com a administração Trump após Washington impor controles de exportação sobre os modelos Fable 5 e Mythos 5 da companhia, por razões de segurança nacional. O lançamento recente de modelos com capacidades cibernéticas avançadas — incluindo o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5 Cyber, da OpenAI — gerou preocupações sobre vulnerabilidades de segurança digital.

Cameron Kerry, pesquisador visitante da Brookings Institution, afirmou à CNBC que o lançamento do Mythos marcou um “ponto de inflexão” no desenvolvimento da IA e levou a administração Trump a considerar a regulação da tecnologia. Já Emerson Brooking, pesquisador sênior do Atlantic Council, disse que os controles de exportação americanos sobre os modelos da Anthropic “mudaram tudo”.

“Vários países do G7 já haviam mencionado a necessidade de investimento em IA soberana, mas sempre havia a suposição de que isso ocorreria junto com o acesso à infraestrutura tecnológica dos EUA”, explicou Brooking à CNBC. “Agora os EUA sinalizaram disposição para cortar o acesso do G7 e até de aliados de tratado a certas capacidades de IA”.

Os laboratórios de ponta parecem interessados em moldar esses debates antes que existam regras determinadas e vinculantes.