Um estudo do Banco Mundial aponta que a exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho brasileiro provoca perdas econômicas anuais de R$ 94,4 bilhões, o que corresponde a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Além disso, as perdas fiscais somam R$ 14,6 bilhões por ano em arrecadação e gastos públicos decorrentes dessa exclusão.
A pesquisa, intitulada “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho Brasileiro”, foi realizada em 2025 e divulgada em 2026. Ela mostra que pessoas LGBTQIA+ enfrentam taxa de desemprego de 15,2%, praticamente o dobro da média nacional de 7,7%. A taxa de inatividade é de 37,4%, ante 33,4% da população geral.

Populações trans, não binárias e intersexo são as que mais relatam discriminação e exclusão profissional. Segundo o relatório, a discriminação reduz a participação no mercado, limita o retorno de investimentos em educação e restringe oportunidades de renda e ascensão profissional.
O levantamento foi conduzido pelo Banco Mundial em parceria com institutos como Matizes, Mais Diversidade, Antra, ABGLT e PADF. Os dados foram coletados por meio de entrevistas online e presenciais, além de campanhas em territórios vulneráveis, para evitar sub-representação.

“Estamos falando de um tema de direitos humanos, mas também de uma questão de desenvolvimento econômico”, afirma Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade. “A pesquisa tem potencial para ampliar nosso repertório semântico e argumentativo, além de apontar caminhos para o diálogo com o Estado e as empresas.”
Samuel Araujo, coordenador da pesquisa no Instituto Matizes, destaca que os resultados desmontam a ideia de homogeneidade na experiência LGBTQIA+ no trabalho. Pessoas trans, não binárias e intersexo acumulam múltiplas vulnerabilidades e enfrentam barreiras maiores de acesso à educação e ao emprego. Ele acrescenta que muitos trabalhadores ocultam suas identidades por medo de preconceito, o que afeta a produtividade e a permanência no emprego.

As perdas econômicas afetam mais mulheres lésbicas, bissexuais, trans e intersexo: R$ 54,3 bilhões anuais entre mulheres, contra R$ 40,1 bilhões entre homens. O estudo também aponta que desigualdades de gênero, raça e território aprofundam os impactos.
O relatório recomenda políticas públicas e ações do setor privado para inclusão profissional. Lucas Bulgarelli, diretor-executivo do Instituto Matizes, defende a ampliação da produção de dados oficiais e o fortalecimento de políticas como o Plano Nacional do Trabalho Digno LGBTQIA+.
“O preconceito ganha toda a sociedade perde”, resume Ricardo Sales, destacando que a exclusão reduz consumo, arrecadação e crescimento econômico. A pesquisa faz parte de uma agenda internacional do Banco Mundial, com metodologia similar aplicada na Índia, Sérvia e Macedônia do Norte.
Com informações de Agência Pública — leia a matéria original.