O procurador-geral da Colômbia instaurou uma investigação contra o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) por supostos crimes ligados à formação de um grupo paramilitar, dois massacres e o assassinato de um defensor dos direitos humanos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (18) por uma fonte oficial e pelo próprio Uribe em redes sociais.

Investigação e acusações

Uribe, de 73 anos, foi intimado para depor no âmbito da nova investigação, segundo fonte da Procuradoria-Geral da República. A data do depoimento ainda não foi definida. O ex-presidente afirmou que se trata de um claro caso de pressão política e injustiça, alegando ligações entre o senador Iván Cepeda e o procurador que o intimou. Seus advogados citaram quatro locais conhecidos de massacres e violência paramilitar sobre os quais ele será interrogado.

Antecedentes criminais

Uribe foi o primeiro ex-presidente colombiano a ser condenado criminalmente, em 2023, por fraude e suborno em um caso de suposta obstrução da justiça que poderia resultar em 12 anos de prisão domiciliar. A sentença foi anulada em apelação, mas agora está sob revisão pelo Supremo Tribunal do país. O caso envolve alegações de que Uribe ordenou a um advogado que subornasse paramilitares presos para desacreditar acusações de que teria ligações com essas organizações. O senador Iván Cepeda, candidato ao segundo turno das eleições presidenciais, é considerado vítima no caso de obstrução. No ano passado, o irmão de Uribe foi condenado por crimes ligados aos paramilitares e sentenciado a 25 anos de prisão.

Contexto político e eleitoral

Os paramilitares, financiados por pecuaristas, latifundiários e comerciantes para se protegerem de guerrilheiros de esquerda, são considerados responsáveis por quase metade das mais de 450 mil mortes ocorridas no conflito colombiano entre 1985 e 2018, segundo estimativas de uma comissão da verdade. Neste domingo (21), os colombianos irão às urnas para o segundo turno presidencial, que colocará o senador Iván Cepeda contra o advogado de direita Abelardo De La Espriella. De La Espriella tem o apoio de Uribe e prometeu uma postura firme contra grupos rebeldes. Uribe, que sempre manteve sua inocência, classificou o caso como perseguição política.