O ex-ministro de Transportes Jose Luis Abalos e o premiê Pedro Sanchéz durante um evento em Madri. Foto: Javier/AFP

A Justiça da Espanha condenou nesta segunda (22) o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos a 24 anos e três meses de prisão por corrupção em contratos públicos firmados durante a pandemia de Covid-19. A decisão foi tomada pelo Tribunal Supremo espanhol, que também condenou o ex-assessor Koldo García a 19 anos de prisão. O empresário Víctor de Aldama recebeu pena de quatro anos e meio, mas teve a execução suspensa por colaborar com as investigações.

Ábalos foi considerado culpado pelos crimes de organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência. Segundo a sentença, os condenados participaram de um esquema para favorecer empresas em contratos emergenciais de compra de máscaras e outros materiais sanitários durante a pandemia.

O caso ficou conhecido como “caso Koldo”, em referência a Koldo García, ex-assessor de Ábalos apontado como um dos operadores da rede investigada. De acordo com a Justiça, havia divisão de funções entre os envolvidos para direcionar contratos públicos milionários em troca de vantagens financeiras e benefícios pessoais. Durante o julgamento, Ábalos e García negaram as acusações.

Ábalos foi um dos principais aliados do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Como secretário de Organização do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), ele teve papel central na articulação que levou Sánchez ao poder em 2018, após a queda do governo conservador de Mariano Rajoy.

Koldo García. Foto: Rodrigo Jiménez/EFE

Embora Sánchez não seja réu nem tenha sido acusado formalmente no processo, o escândalo aumentou a pressão sobre seu governo. Durante as investigações, Víctor de Aldama afirmou que o premiê seria o líder da suposta organização e que o PSOE teria sido beneficiado por financiamento ilegal. Sánchez rejeitou as acusações, e não há denúncia formal contra ele relacionada ao caso.

O episódio ocorre em meio a outras investigações envolvendo pessoas próximas ao chefe de governo. Entre elas estão processos que atingem seu irmão, David Sánchez, sua esposa, Begoña Gómez, e também apurações envolvendo o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero. Recentemente, investigadores também realizaram buscas na sede nacional do PSOE em uma investigação paralela.

A condenação fortaleceu os ataques da oposição, que voltou a pedir a renúncia de Sánchez e a convocação de eleições antecipadas. O governo sustenta que os fatos investigados dizem respeito exclusivamente aos condenados. Mesmo assim, a sentença contra Ábalos já é considerada um dos maiores escândalos políticos da Espanha nos últimos anos e amplia a pressão sobre o Executivo espanhol.