A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a operação Sem Refino, que investiga um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Entre os 17 alvos está Jônathas Assunção Salvador Nery de Castro, de 42 anos, ex-secretário-executivo da Casa Civil e ex-conselheiro da Petrobras, que atuava como lobista da Refit, refinaria de Ricardo Magro.
Jônathas foi braço direito do ministro Ciro Nogueira (PP-PI) na Casa Civil durante o governo Bolsonaro, onde administrava o orçamento secreto. Em 2022, por influência de Nogueira, foi aprovado para o Conselho de Administração da Petrobras, apesar de parecer desfavorável do Comitê de Elegibilidade da estatal, que apontava risco de conflito de interesses.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua decisão de 87 páginas, Moraes reproduz trechos do relatório da PF que mostram transações financeiras atípicas de Jônathas. Segundo a investigação, em 17 de março de 2025 ele abriu a empresa Sary Consultoria e Participações Ltda, com capital social de apenas mil reais. Poucos dias depois, a empresa recebeu R$ 765,7 mil da Refit, R$ 382,8 mil da Roar Inovação, R$ 320,3 mil da Fera Lubrificantes e R$ 62,5 mil da Flagler — todas vinculadas ao conglomerado de Magro, segundo a PF.
Os valores, de acordo com a Polícia Federal, foram rapidamente transferidos para Jônathas, totalizando cerca de R$ 1,325 milhão. A PF classifica a Sary Consultoria como uma “empresa de passagem”, que existe apenas no papel e não possui despesas operacionais como folha de pagamento ou custos técnicos.
A decisão de Moraes não detalha a suspeita exata sobre essas movimentações, mas destaca os laços políticos de Jônathas, descrito como “principal auxiliar do então ministro da Casa Civil, o atual senador Ciro Nogueira”. Ciro Nogueira já foi associado aos negócios de Ricardo Magro em reportagens anteriores da piauí, que revelaram a relação próxima entre eles e a apresentação de emendas no Senado que beneficiariam a Refit.
Além de Jônathas, também foi alvo de mandado de busca e apreensão o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Segundo a PF, Castro agiu com “leniência” e facilitou “a criação de um ambiente propício” para os crimes de Magro. Outros alvos incluem o ex-procurador-geral do estado do Rio Renan Saad, o ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) Renato Jordão Bussiere, o desembargador Guaraci de Campos Vianna, ex-integrantes da Secretaria de Fazenda do estado do Rio e servidores da PF.
Após deixar o governo em 2022, Jônathas foi contratado por Ricardo Magro para cuidar das “relações governamentais e institucionais” da Refit. A piauí obteve e-mails de agosto de 2024 em que Jônathas, usando o endereço jonathas.castro@fitpar.com.br (Fitpar é empresa de Magro), convida diretores da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para uma visita técnica à Refit. A ANP havia suspenso as atividades da refinaria, interdição que ainda vigora.
A Operação Sem Refino investiga uma organização criminosa estruturada em torno da Refit, acusada de usar distribuidoras, importadoras, factorings, fundos de investimento, holdings e offshores para ocultar receitas, lavar dinheiro, sonegar tributos e fraudar o recolhimento de ICMS. A PF aponta que estruturas do Estado foram utilizadas para beneficiar a Refit e protegê-la de punições.
Com informações de Revista Piauí.