O governo dos Estados Unidos informou que a inteligência artificial Grok, desenvolvida pela xAI, empresa de Elon Musk, foi empregada em operações militares contra o Irã durante o conflito que já dura mais de três meses. A informação consta em um documento legal apresentado pelo Departamento de Justiça, datado de 15 de junho, ao qual a agência AFP teve acesso nesta terça-feira (16).

Defesa de infraestrutura energética

No documento, a administração de Donald Trump defende as turbinas a gás utilizadas por um grande data center da xAI, que são alvo de uma ação judicial ambiental. O Departamento de Justiça argumenta que a interrupção do fornecimento elétrico para o data center “coloca em risco a segurança nacional, econômica e energética americana”, pois a inovação em IA apoiaria as operações militares do Departamento de Guerra.

Depoimento do chefe de IA do Pentágono

Os promotores federais apresentaram o testemunho de Cameron Stanley, responsável pela inteligência artificial do Pentágono. Sob juramento, Stanley afirmou que o Grok já está sendo utilizado no estratégico Projeto Maven, o programa de seleção de alvos assistido por IA das Forças Armadas dos EUA. Inicialmente, o sistema operava com o modelo Claude, da Anthropic.

“Os Maven Smart Systems (MSS) permitiram às forças americanas lançar mais de 2.000 munições contra 2.000 alvos distintos em um prazo de 96 horas durante a Operação Fúria Épica contra o Irã”, declarou Stanley.

O chefe de IA do Pentágono elogiou a tecnologia de Musk, destacando o “enorme aumento da eficiência operacional possibilitado pelo modelo Grok Gov”.

Ação judicial da NAACP

Paralelamente, a NAACP, organização de defesa dos direitos civis dos afro-americanos, moveu uma ação contra a xAI. A entidade acusa a empresa de operar dezenas de turbinas sem licença, violando a Lei do Ar Limpo. Segundo a NAACP, essas turbinas poluem bairros majoritariamente negros. Em resposta, a xAI argumentou que os motores são temporários e móveis e, portanto, não estariam sujeitos à regulamentação ambiental.