O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou, na segunda-feira (1º), um relatório recomendando a aplicação de uma tarifa de 25% sobre importações do Brasil, com algumas exceções. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, justifica-se por questões ambientais, falta de combate à pirataria e à corrupção, tarifas preferenciais a outros países, como México e Índia, e ações do Supremo Tribunal Federal (STF) consideradas censura. O relatório também menciona o sistema de pagamentos Pix, alegando prejuízo a empresas americanas de serviços concorrentes, embora o Pix seja um sistema público do Banco Central, não uma empresa privada.
Uma segunda investigação, sobre combate ao trabalho escravo, resultou na recomendação de uma tarifa de 12,5% para produtos brasileiros e de dezenas de outros países. Mesmo nações aliadas dos EUA, como a Argentina de Javier Milei, seriam taxadas em 10%. Nenhuma das tarifas está em vigor; audiências estão marcadas para a primeira quinzena de julho, e a decisão final pode ser influenciada por preocupações com inflação e as eleições de meio de mandato nos EUA em novembro.
O relatório aponta problemas reais, como o desmonte do combate à corrupção com anulações de condenações da Lava Jato e ordens de censura do STF que invadem a jurisdição americana, levando a um processo contra o ministro Alexandre de Moraes nos EUA. No entanto, a Gazeta do Povo considera as medidas desproporcionais, punindo setores inteiros da economia por abusos de algumas autoridades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com críticas, acusando o senador Flávio Bolsonaro de estar por trás das tarifas, após encontro com Donald Trump em Washington. Lula insinuou que Flávio e seu irmão Eduardo deveriam ser enforcados como "traidores da pátria". A Gazeta do Povo avalia que a reação de Lula é eleitoreira e infantil, repetindo erros do primeiro tarifaço, quando Trump recuou por causa da inflação, não por provocações brasileiras.
Com informações de Gazeta do Povo.