Os Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra alvos no Irã nesta quarta-feira (10), intensificando o conflito entre as duas nações e aumentando as tensões no Estreito de Ormuz, uma via estratégica para o comércio global de petróleo. O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou a operação, classificando-a como uma medida de “autodefesa” em resposta ao que chamou de “agressão injustificada e contínua” por parte de Teerã.
Reação iraniana e denúncias de ataques a civis
O governo iraniano reagiu com críticas, afirmando que estruturas civis essenciais foram atingidas. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, condenou as ameaças contra sistemas de transporte, eletricidade e abastecimento de água. Segundo ele, atacar ou ameaçar a infraestrutura vital de um país não demonstra força, mas “desespero diante da vontade de uma nação”. O país anunciou que fechará novamente o Estreito de Ormuz.

O porta-voz das Forças Armadas iranianas, brigadeiro-general Abolfazl Shekarchi, declarou que qualquer nova ameaça será respondida com uma reação “mais dura, mais forte e mais esmagadora”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que militares estadunidenses destruíram dois reservatórios de água na cidade de Sirik, na província de Hormozgan. Segundo ele, as estruturas abasteciam mais de 20 mil moradores de dez vilarejos da região. Em publicação na rede X, Baqaei classificou a ação como um “crime de guerra calculado” e uma violação do direito internacional humanitário.
Contexto e declarações de Trump
A nova ofensiva ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que as Forças Armadas do país voltariam a agir contra o Irã. Ao comentar a derrubada de um helicóptero Apache no Estreito de Ormuz, o republicano declarou que Washington tinha o direito de responder militarmente e confirmou a retomada dos bombardeios. Trump afirmou ainda que não descartava atingir infraestruturas civis, como instalações de energia e pontes, e associou a pressão militar ao ritmo das negociações entre os dois países.

Explosões e confrontos relatados
Segundo a agência iraniana Merz e veículos locais, explosões foram registradas em diferentes regiões do país, incluindo Bandar Abbas, Sirik, Minab, a ilha de Qeshm e áreas próximas à capital Teerã. A imprensa estatal iraniana IRNA também informou que sistemas de defesa aérea foram acionados durante os ataques. A agência Merz relatou confrontos entre forças navais iranianas e militares dos EUA no Estreito de Ormuz, além de que unidades da Guarda Revolucionária dispararam contra um caça F-16 que teria violado o espaço aéreo da região, forçando a aeronave a recuar. As informações foram divulgadas por meios de comunicação ligados ao governo iraniano e não haviam sido confirmadas por fontes independentes até a publicação desta matéria.
Enquanto os bombardeios prosseguiam, o Crescente Vermelho do Irã anunciou estado de alerta máximo em seus centros de emergência em todo o país.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.