O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5), a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A decisão foi publicada no Federal Register, o Diário Oficial dos EUA, e assinada pelo secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio.

No documento, Rubio afirma que as facções "cometeram ou tentaram cometer, representam um risco significativo de cometer ou participaram de treinamento para cometer atos de terrorismo que ameaçaram a segurança de cidadãos dos EUA ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos EUA".

Na semana passada, Rubio já havia anunciado a decisão pelas redes sociais, classificando as organizações como "as mais perigosas do Brasil". Segundo ele, "seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas".

A designação ocorre na mesma semana da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, Rubio e o vice-presidente JD Vance. O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentava evitar a medida, temendo interferência americana e influência nas eleições. Lula afirmou que o assunto não foi tratado em sua conversa com Trump há cerca de 20 dias, mas que foi entregue uma proposta de cooperação bilateral.

Após a decisão, o governo brasileiro divulgou nota em que afirma que PCC e CV são tratados pelo Estado como organizações criminosas responsáveis por espalhar terror em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, armas e milícias. Sem citar nomes, a gestão classificou como "deplorável" a intervenção da família Bolsonaro em temas internacionais. "A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros", diz o comunicado.

Com a designação, fica criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento das organizações. Integrantes não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país. Bancos americanos com contas desses membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil discorda da denominação, uma vez que, em território brasileiro, a designação de terrorismo é aplicada a atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

À Folha, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a decisão foi tomada por Trump e que, apesar de o presidente ouvir pessoas do seu entorno, toma decisões com base no que julga melhor para os EUA. Ela também informou que as facções PCC e CV estão presentes em 12 estados americanos, incluindo Nova York, Nova Jersey, Massachusetts, Flórida e Tennessee.

Com informações de Folha — Cotidiano.